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Esquema do CredCesta/Banco Master deixou professoras de Curitiba com o nome sujo enquanto o dinheiro roubado circulava entre políticos e o crime organizado

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Esquema do CredCesta-Banco Master deixou professoras de Curitiba com o nome sujo enquanto o dinheiro roubado circulava entre políticos e o crime organizado

Professoras e servidoras municipais de Curitiba enfrentam até hoje as consequências do esquema do CredCesta: cobranças indevidas, juros abusivos, descontos em folha por contratos que nunca existiram, negativação nos órgãos de proteção ao crédito e dívidas que crescem sem que consigam quitar.

Há relatos de servidoras com mais de R$ 36 mil descontados em dois anos sem nunca ter recebido nenhum valor, e de compras lançadas em cartões que jamais foram utilizados.

 

Como funcionava o golpe?

O Banco Master de Daniel Vorcaro operava um ecossistema fechado e calculado com centenas de Prefeituras e diversos governos estaduais.

Institutos de previdência municipais e estaduais aplicavam bilhões em fundos ligados ao banco, enquanto prefeituras e governos abriam as portas para cartões de crédito consignado com juros elevados, como a Prefeitura de Curitiba fez com o CredCesta na gestão Greca.

Como os descontos vinham na folha dos servidores, o banco tinha liquidez garantida e risco zero de inadimplência. Era dinheiro limpo, direto dos cofres públicos, e funcionava como motor da operação criminosa.

Com esse fluxo assegurado, o banco injetava recursos em empresas e negócios de aliados políticos que haviam aberto as portas dos governos para a instituição. Um ciclo bilionário que enriquecia intermediários e se retroalimentava até desmoronar.

Em Curitiba, a gestão Greca assinou o convênio, fez propaganda do CredCesta e incentivou a adesão. Depois da pressão do SISMMAC e de outras entidades, a gestão Pimentel suspendeu os descontos e cancelou o convênio.

 

E quem ganhou com isso?

Essa é uma resposta que cabe às autoridades investigativas.

Mas o exemplo da cidade baiana de Mata de São João é revelador. O secretário de Desenvolvimento do município credenciou o Banco Master para operar um cartão consignado para servidores e recebeu, poucos dias depois, um “empréstimo” de R$ 28 milhões para ampliar seus negócios. Assim nasceu o CredCesta, esquema central dos crimes de Vorcaro e do banco Master.

 

Coincidência?

O apresentador Ratinho, pai do governador Ratinho Jr., foi garoto-propaganda do CredCesta e recebeu cerca de R$ 24 milhões por negócios com o Master entre 2022 e 2025. O mesmo grupo político e econômico participava da gestão Rafael Greca e continuou no poder com Eduardo Pimentel. O CredCesta de Vorcaro seguiu junto.

Enquanto professoras de Curitiba ficavam com o nome sujo, o dinheiro que passava pelo Banco Master circulava por caminhos que as investigações vêm revelando, com repasses a parlamentares federais, incluindo o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, recursos enviados ao exterior e conexões com empresas investigadas por ligações com o crime organizado, como o PCC. O dinheiro que saía do bolso das servidoras foi usado em um mecanismo criminoso que cruzou fronteiras.

As autoridades precisam investigar a fundo as relações que levaram a gestão Greca a aderir ao CredCesta e os prejuízos causados. Essa responsabilidade não pode ser apagada.

O alerta é ainda mais urgente agora que a Câmara aprovou a Privataria da gestão Pimentel, que vai retirar os poucos mecanismos de controle que ainda existem nas relações entre a Prefeitura e empresas privadas. O esquema do CredCesta já mostrou o estrago que acontece quando os interesses econômicos privados ficam acima do bem-estar público. A Privataria vai abrir essa porteira.

 

 

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