O sindicato não deve falar de política? Mas foram políticos que decidiram mudar a Previdência e aprovaram a reforma que depois abriu caminho para o confisco das aposentadorias das professoras e dos professores de Curitiba.
A Reforma da Previdência do governo Bolsonaro (PSL, depois PL) foi aprovada em 2019 na Câmara por 379 votos a 131.
Orientaram voto A FAVOR: PP, MDB, PTB, PSL, PL, PSD, PRB, PSDB, DEM, Patriota, Solidariedade, Podemos, PROS, PSC, Cidadania, Novo e Avante.
CONTRA: PT, PSB, PDT, PSOL, Rede e PCdoB. O PV liberou a bancada.
No Senado, a reforma também foi aprovada. Flávio Bolsonaro, hoje candidato à Presidência pelo PL, votou a favor da Reforma da Previdência.
Dois anos depois, Curitiba aprovou sua reforma por 27 votos a 11. A maioria dos votos favoráveis veio de políticos de partidos que também haviam apoiado a reforma nacional.
Depois, o confisco das aposentadorias (Lei Complementar 133/2021) foi aprovado novamente por 27 votos a 11 e estabeleceu a cobrança de 14% sobre a parcela das aposentadorias e pensões acima de dois salários-mínimos.
Nada disso é coincidência.
Porque política não é apenas questão de gostar ou não de alguém. Também não é apenas uma questão de valores pessoais ou de “preferência”.
Políticos fazem parte de projetos, constroem alianças e representam interesses. E, quando colocamos diferentes votações lado a lado, os padrões aparecem.
Há os que sempre atuam na defesa da educação pública, das escolas e dos direitos das professoras e dos professores. E há quem sempre vota em reformas e projetos que retiram direitos e prejudicam salários, carreiras e aposentadorias.
Por isso, é preciso olhar além do discurso.
O que esse político faz quando chega a hora de decidir sobre os seus direitos?
É por isso que o sindicato fala sobre política.
Não para dizer em quem alguém deve votar, mas para mostrar quem apresentou, quem apoiou e quem votou nas decisões que atingem a nossa vida profissional e a escola pública.
Porque, no fim, política não é só o que alguém diz defender. É o que faz quando tem poder para decidir.
E essas decisões afetam a escola, nossos direitos, nosso salário, nossa carreira e a nossa aposentadoria.










