A política está em praticamente tudo o que acontece na vida do magistério.
Está no salário rebaixado que recebemos. Nas dificuldades para crescer na carreira. Na aposentadoria comprometida. Na quantidade de profissionais que faltam nas escolas. No número de estudantes nas turmas superlotadas. Na ausência de concursos públicos. Na falta de políticas efetivas de inclusão. No orçamento cortado da educação. Nos direitos que são retirados.
Nada disso acontece por acaso.
São decisões tomadas por governantes, vereadores nas câmaras municipais, deputados nas assembleias legislativas e parlamentares no Congresso Nacional.
E a visão política de quem manda na política faz diferença.
Uma gestão que entende a educação pública como prioridade tende a fazer escolhas diferentes de uma gestão que coloca outros interesses (pessoais, financeiros ou políticos) no centro das decisões. Isso aparece no orçamento, na valorização profissional, na forma como a carreira é organizada e na atenção dada às condições de trabalho. Ou na falta de tudo isso.
Uma administração que considera o magistério parte fundamental da qualidade da educação pode priorizar reajustes melhores, construir uma carreira com menos barreiras para o desenvolvimento profissional, garantir concursos, ampliar equipes e responder com mais rapidez a problemas como inclusão, sobrecarga e adoecimento.
Outra gestão pode escolher conter gastos com pessoal, restringir avanços na carreira, reduzir investimentos, substituir concursos por formas precárias de contratação ou ampliar a presença de interesses privados nos serviços públicos. O magistério de Curitiba conhece isso bem de perto.
Essas escolhas não são neutras. Elas refletem diferentes projetos políticos.
Orientação política, alianças e prioridades de gestão determinam a forma como os recursos públicos são aplicados e para o que são destinados.
Quando faltam profissionais nas escolas, foram políticos que decidiram não contratar.
Quando não há concurso suficiente, isso também é consequência de uma escolha política.
Quando faltam profissionais para a inclusão, quando as turmas estão superlotadas, quando equipes ficam sobrecarregadas e quando o trabalho aumenta sem que a estrutura acompanhe, as consequências recaem sobre quem está dentro da escola. Tudo isso é decidido por políticos.
A pressão aumenta. O tempo diminui. As responsabilidades se acumulam. A saúde de quem trabalha é afetada. Também são decisões políticas que determinam em que condições esse trabalho será realizado.
A política também decide quanto vale o nosso trabalho. Afinal, são políticos que definem reajustes, data-base, planos de carreira, critérios de crescimento e regras de aposentadoria.
Em Curitiba, o Pacotaço de 2017 suspendeu procedimentos de crescimento horizontal, crescimento vertical, mudanças de classe e outros avanços na carreira. O último Crescimento Horizontal em 2014. Isso também foi uma decisão política, tomada pela Prefeitura e apoiada por vereadores que, naquele momento, calcularam que ganhariam mais apoiando a decisão do prefeito.
Assim como foi decisão política mudar as regras da Previdência, aumentar contribuições, aprovar o confisco das aposentadorias e definir quanto professoras e professores terão de pagar e por quanto tempo terão de trabalhar a mais.
Também é política decidir para onde vai o dinheiro público. Todo orçamento revela prioridades.
E existe ainda outra dimensão.
Políticos também influenciam a forma como a sociedade enxerga a escola pública e quem trabalha nela.
Quando professoras são apresentadas como criminosas, drogadas, inimigas das famílias ou alvo de campanhas de perseguição, esse discurso contribui para criar um ambiente de hostilidade contra quem está no chão da escola. Isso significa que autoridades e lideranças políticas também têm responsabilidade sobre as ideias que ajudam a espalhar e normalizar. E, hoje em dia, é cada vez mais comum que façam isso como estratégia, porque ganham seguidores, votos e até dinheiro com isso. Não são ações isoladas. São estratégias de grupos políticos.
Por isso, entender política é entender quem decide, quais interesses são priorizados e quem sofre as consequências dessas decisões.
Políticos não atuam isoladamente.
Fazem parte de partidos, governos, alianças e projetos.
E, quando colocamos diferentes votações lado a lado, os padrões aparecem.
Há políticos e grupos que atuam sempre na defesa da escola pública, dos serviços públicos e dos direitos de quem trabalha na educação.
Há outros que sempre apoiam reformas, congelamentos, privatizações e projetos que reduzem direitos, prejudicam carreiras, salários e aposentadorias. Que colocam em risco o futuro da escola pública.
Por isso, não basta acreditar no que um político diz defender.
É preciso saber o que ele faz quando tem poder para decidir.
Como votou quando mexeram na Previdência?
O que fez quando congelaram a carreira?
Que posição assumiu quando o assunto era salário, concurso, investimento em educação ou direitos do magistério?
É disso que se trata a conscientização política feita pelo sindicato.
Não de dizer em quem alguém deve votar. Isso é escolha individual.
Mas de mostrar quem apresentou, quem apoiou, quem votou, por que votou e quais consequências essas decisões produziram para a categoria e para a escola pública.
Professoras e professores continuarão tendo suas crenças, seus valores e seus próprios critérios para escolher seus representantes.
Mas existe uma informação que nunca pode ficar de fora: o que esses políticos fizeram quando receberam o poder de decidir sobre a nossa vida profissional. Sobre a educação pública.
Pense nisso cada vez que olhar o contracheque. Quando tentar crescer na carreira. Quando entrar em uma sala superlotada. Quando precisar atender uma criança sem o apoio necessário. Quando adoecer diante da sobrecarga. Quando pensar em como será a sua aposentadoria.
Diferentes governos fazem escolhas diferentes porque partem de prioridades e projetos diferentes.
Por isso, não basta avaliar um político apenas pelos valores que ele afirma defender, pela imagem que constrói ou pelos temas sobre que aborda nas redes sociais. Muitas vezes, a imagem construída para o público é uma fantasia, um personagem criado para ganhar votos. É na prática que ele se revela.
Porque política não é apenas discurso.
Política é decisão.
E toda decisão tem consequência. Especialmente o voto.
Afinal, quem trabalha no magistério tem uma pergunta muito importante a fazer para si mesmo: “por que vou apoiar quem tenta me destruir?”










