O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba votará amanhã (30) o relatório que investiga o vereador Éder Borges por incentivar o uso de armas contra professoras durante a Tribuna Livre em que o SISMMAC apresentou dados sobre a realidade da educação municipal. O documento recomenda a suspensão do mandato por 120 dias, com perda de prerrogativas e subsídio durante o afastamento.
O relatório aponta que a conduta foi voluntária e consciente: o vereador se posicionou à frente de professoras e parlamentares para foto institucional e fez um gesto que gerou ofensa moral, coação e ameaça à presidente do SISMMAC, Diana Abreu, às representantes do magistério presentes. O episódio ganhou repercussão nacional e manchou a reputação da própria Câmara.
Likes e votos
Não se trata de um gesto isolado. Naquele dia, Éder Borges agrediu nossa categoria chamando professoras de drogadas para produzir conteúdo para suas redes sociais. Depois se inseriu na foto e se filmou fazendo o gesto de apologia ao uso de armas, com o objetivo claro de gerar engajamento, monetizar ódio e colher votos nas eleições deste ano, onde será candidato a deputado.
Ele já vinha usando os ataques contra professoras como estratégia eleitoreira e, durante a nossa greve de abril, gravou outros vídeos atacando nossa categoria (sem sucesso, já que recebeu muito mais críticas do que apoios).
O reflexo dos discursos de ódio
Esse tipo de incentivo tem consequências reais. Desde 2018, os ataques às escolas explodiram. Houve três vezes mais ataques armados entre 2018 e 2024 do que nos 20 anos anteriores. Um estudo da Unicamp revelou que em 71,8% dos casos havia sinais de influência de comunidades virtuais de ódio. Quase 80% das mortes foram causadas por armas de fogo.
Ao criminalizar o magistério e jogar famílias contra professoras, Éder Borges alimenta o mesmo ambiente que leva jovens radicalizados às escolas com armas.
Os membros do Conselho de Ética darão uma resposta à sociedade. A maioria dos vereadores da base do prefeito pediu afastamento do processo para não ter que votar. O recado foi claro.
Se a Câmara proteger Éder Borges, estará apoiando o incentivo ao uso de armas contra professoras como estratégia eleitoreira.
E cada voto conquistado com ódio ao magistério será um voto manchado de sangue.










