Na véspera do Dia Internacional das Mulheres, o SISMMAC se uniu ao CEPAT e entidades parceiras para realizar mais uma edição do Percurso das Mulheres Negras em Curitiba. A caminhada pelo centro histórico foi um ato político de resgate de memória e disputa de narrativa sobre quem construiu nossa cidade.
As elites locais gostam de vender a imagem de uma capital de origem exclusivamente europeia. Essa narrativa não surgiu por acaso. É um projeto político de invisibilização da classe trabalhadora, reflexo também do machismo estrutural que minimiza o papel das mulheres no espaço público e na história da nossa cidade.
No Percurso, essas mentiras foram confrontadas em cada parada.
Começamos na Praça Osório, marcando o espaço histórico da capoeira e do Carnaval. O centro sempre foi território de vivência e cultura da população negra, que resiste às tentativas de expulsão e marginalização promovidas pelo poder público.
No Bondinho da Rua XV, resgatamos o Dia do Samba e a memória de Mãe Orminda, primeira mulher a puxar um samba-enredo na avenida de Curitiba, em 1978, rompendo as barreiras do machismo e do racismo na cultura local.
Na Praça Generoso Marques, paramos diante da estátua de Emerenciana Cardoso Neves, artista e escultora cuja obra e trajetória a narrativa oficial insiste em não reconhecer.
Na Praça Tiradentes, ressignificamos as Gameleiras, árvores sagradas para as religiões de matriz africana, e debatemos a lenda do cacique Tindiguera: uma narrativa que o poder público usa para reforçar o mito do “bom selvagem” e apagar os conflitos reais da história.
No calçadão da Rua XV, paramos diante da estátua de Enedina Alves Marques, primeira engenheira negra do Brasil, formada pela UFPR em 1945, cuja história as elites tentaram apagar, mas não conseguiram.
Encerramos na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito, erguida no século XVIII pela organização e pelo trabalho da própria comunidade negra.
Conhecer a verdadeira história de Curitiba é também disputar o presente e o futuro da nossa cidade. O combate ao racismo exige organização coletiva e confronto permanente com as narrativas da classe dominante.
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