O que fazer com um vereador que incentiva o uso de arma de fogo contra professoras da rede municipal, depois de ter atacado a honra de toda a nossa categoria dizendo que as educadoras “usam droga”? É esta a resposta que a Câmara Municipal de Curitiba terá que dar ao decidir se apoia ou condena a conduta do vereador Éder Borges (Novo), que fez o gesto de “arminha” ao final da sessão em que ocupamos a Tribuna Livre, no dia 1º de abril, para expor a realidade do magistério. A corregedoria recomendou censura pública e o Conselho de Ética instaurou processo para apurar o caso.
O gesto não foi espontâneo. Éder Borges entrou no plenário com o celular em punho para se gravar. Foi premeditado. Usou o tempo pago pelo contribuinte e o espaço da Câmara para produzir conteúdo radicalizado, monetizar suas redes e inflamar seguidores. Uma cortina de fumaça conveniente, enquanto investigações do Ministério Público sobre nepotismo em seu gabinete seguem em andamento.
Só que as consequências desse tipo de incentivo à violência vão além do oportunismo político. Estudos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e da Flacso mostram que jovens que cometem ataques a escolas são radicalizados por discursos de ódio vindos de políticos, influenciadores e fóruns extremistas. Entre 2002 e 2017, foram 7 ataques no Brasil. De 2018 até 2025, quando docentes se tornaram alvo de militantes radicais, foram 35 ataques, com 53 mortes. As armas de fogo respondem por 77,5% dessas mortes.
Um dado que toda família precisa conhecer: a maioria das vítimas não foram professoras. Foram alunas e alunos. Quando políticos oportunistas incentivam a violência contra quem ensina, toda a sociedade sofre.
No magistério de Curitiba, os relatos de agressões crescem. Uma categoria que já enfrenta salários rebaixados, salas superlotadas e sobrecarga extrema sofre cada vez mais com a violência. Isso gera mais adoecimento e amplia o déficit de profissionais que compromete o ensino das crianças.
O Conselho de Ética dirá à sociedade se a segurança das professoras e das crianças tem valor para a Câmara de Curitiba. Um vereador que produz ódio como modelo de negócio não representa a cidade. Representa apenas seus próprios interesses. O SISMMAC acompanhará essa decisão. E a sociedade também.











