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Sobrecarga nos 5os anos: quando a padronização ameaça a qualidade da educação

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Sobrecarga nos 5º anos quando a padronização ameaça a qualidade da educação

Na última semana antes do recesso, professoras e professores dos 5º anos da Rede Municipal de Ensino receberam o material Aprova Paraná, acompanhado de um cronograma apertado e pré-estabelecido pela Secretaria Municipal da Educação (SME).

A justificativa oficial é alinhar práticas pedagógicas e elevar índices em avaliações externas. Na prática, porém, o resultado é outro: subordinar o processo pedagógico a simulados e provas padronizadas, em detrimento do trabalho construído nas escolas e do próprio Currículo de Curitiba.

 

Currículo de Curitiba deixado de lado

O currículo municipal foi fruto de estudos, debates e escuta dos profissionais da rede, construído coletivamente para garantir uma proposta pedagógica coerente, contextualizada e sensível às realidades locais. Seu objetivo é respeitar os direitos de aprendizagem e promover o desenvolvimento integral das crianças — físico, social, emocional e cognitivo.

Quando a SME decide sobrepor materiais externos, engessa a prática docente, coloca disciplinas como História e Geografia em segundo plano e desvaloriza o currículo historicamente construído.

 

Avaliações em excesso e rotina artificial

O problema se agrava diante do calendário de avaliações em larga escala. Em poucos meses, estudantes e professores precisarão lidar com Prova Curitiba, Prova Paraná, Saeb, Obmep, Fluência Leitora, CAED e outras.
Essa multiplicação não mede o real aprendizado, mas apenas a adaptação a modelos externos, que não avaliam qualidade. São instrumentos que servem apenas ao discurso neoliberal, para justificar a redução da responsabilidade do poder público com a educação.
Além disso, a sobrecarga não se restringe à aplicação das provas: é preciso fazer a correção dessas avaliações e inserir os resultados em planilhas. As permanências, que deveriam servir ao trabalho pedagógico, também são consumidas por um excesso de cursos obrigatórios.

O resultado é o aumento da sobrecarga para docentes e estudantes, perda de tempo pedagógico e uma rotina escolar cada vez mais artificializada.

 

O que dizem as professoras

Uma professora da rede resumiu o sentimento coletivo: “Tô sentindo que toda construção da educação foi deixada de lado. Voltamos para o tempo da educação tradicional/tecnicista, ou pior, com muito trabalho em cima de apostila e plataforma. A gestão municipal está sobrecarregando o trabalho com os 5º anos. Não é a organização da escola que sobrecarrega, é o que vem de cima.”

Outra professora relatou: “A Prefeitura, que trabalha tanto com inclusão, não incluiu na lista das turmas os estudantes oriundos da classe especial, que estão no 5º ano desde abril… Parece manobra para os estudantes com dificuldade não fazerem a prova do Saeb.”

 

O que a Prefeitura poderia aprender com os países desenvolvidos

Quando se trata da educação, a comparação internacional é inevitável. Países com os melhores índices educacionais do planeta, como Finlândia e Noruega, não recorrem à padronização exaustiva. Pelo contrário: investem em currículos flexíveis, valorizam a autonomia docente, reduzem as avaliações externas e priorizam o desenvolvimento integral.

Nesses sistemas, o professor é reconhecido como sujeito central do processo educativo, com liberdade para planejar de acordo com as necessidades e contextos de sua turma. Exatamente o oposto do que se vê em Curitiba.

 

O caminho que precisamos seguir

Ao adotar o Aprova Paraná como norteador, a Prefeitura escolhe empobrecer a prática pedagógica, ignorar a autonomia docente e desvalorizar o currículo construído coletivamente. Essa decisão ameaça a qualidade da educação pública, reduz o aprendizado à lógica de simulados e coloca em risco o compromisso histórico da rede com a formação integral, crítica e emancipadora.

Se olharmos o exemplo da rede estadual (sob o comando do mesmo grupo político e econômico), veremos muito marketing com números, mas um sistema que não é reconhecido como referência de qualidade e nem de metodologia pedagógica.

Para o SISMMAC, uma escola pública de qualidade se constrói com diálogo, valorização docente, respeito ao currículo local e compromisso real com o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

É urgente que a gestão municipal reveja sua política de padronização e sobreposição de avaliações. A continuidade desse modelo só vai aumentar a sobrecarga e contribuir para mais adoecimento das professoras e professores, que já enfrentam condições duras de trabalho.

A educação que nossas crianças merecem vai muito além de estatísticas: ela exige trabalho pedagógico crítico, criativo e profundamente humano.

 

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