A decisão da Secretaria Municipal da Educação (SME) de Curitiba de retirar o apoio à participação de estudantes da rede pública no Desafio Xeque-Mate gerou indignação no magistério. Em ofício às escolas, a SME informou que nas próximas etapas não haverá suporte (nem transporte e nem alimentação).
Em edições anteriores houve apoio da SME. Agora, transfere para as famílias a responsabilidade pelos custos, desestimulando a prática do xadrez e permitindo que barreiras econômicas impeçam a participação. O investimento seria ínfimo para o município, enquanto o impacto pedagógico é enorme.
Não se constrói o futuro de uma cidade apenas com obras de visibilidade. O futuro se prepara com investimento na formação integral. O xadrez, reconhecido como ferramenta pedagógica, fortalece concentração, raciocínio lógico, planejamento e tomada de decisão. Retirar esse apoio restringe o acesso a uma atividade historicamente elitizada, que deveria ser democratizada pela escola pública.
Segundo a própria Prefeitura, o circuito existe desde 2011, é promovido pela SMELJ em parceria com a FEXPAR e já se consolidou entre os maiores torneios escolares do Paraná. Só a segunda etapa deste ano reuniu cerca de 1.500 participantes, integrando estudantes de escolas públicas e particulares.
Com a decisão da SME, estudantes da rede municipal passam a depender do bolso das famílias para participar. Na prática, muitos ficarão de fora, não por falta de interesse ou talento, mas por não terem condições de custear deslocamento e alimentação.
Ao se negar esse apoio, a gestão municipal reafirma a visão elitizada do grupo político e econômico que comanda a Prefeitura e o governo estadual: quando é para marketing, obras vistosas ou projetos para transferir dinheiro à iniciativa privada, os recursos aparecem. Quando é para garantir mais oportunidades aos alunos da rede pública, a administração nega apoio.
Para o SISMMAC, a decisão é inaceitável.
Defender a escola pública é garantir acesso democrático ao esporte, à cultura e ao desenvolvimento integral. Cobraremos da SME a revisão dessa política e seguiremos denunciando medidas que negam aos estudantes da rede pública oportunidades de crescimento e cidadania.











