Parem de matar as mulheres

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Parem de matar as mulheres
O 8 de Março não é data festiva. É marco histórico de luta. E enquanto houver mulheres sendo assassinadas dentro de casa por homens com quem dividiram parte da vida, não há nada a comemorar.
2025 encerrou com o maior número de feminicídios no Brasil desde que o crime foi tipificado, em 2015. Foram 1.568 mulheres assassinadas por questões de gênero, 4,7% a mais do que no ano anterior. No Paraná, foram 122 casos documentados ao longo do ano. Nosso estado segue entre os cinco com mais casos no país.
Esses números têm rosto, cor e endereço. As mulheres negras representam 62,6% das vítimas. Em 66,3% dos casos, o crime aconteceu dentro da própria casa da vítima. Companheiros e ex-companheiros são os assassinos em mais de 80% das ocorrências.
Isso mostra que o feminicídio não é crime passional nem descontrole isolado. É o ato final de uma cadeia de abusos sustentada pela lógica de posse: a ideia de que a mulher é um objeto, propriedade do homem. Quando ela diz não, o machismo estrutural responde com aniquilação.
Essa lógica é cultivada e normalizada todos os dias: na piada de que ter filha mulher é “fraquejada”, na reclamação de que mulher custa mais porque engravida. O riso sobre as mulheres e o punho que as mata em casa são expressões da mesma cultura.
E o Estado deixa acontecer. Cidades pequenas, com até 100 mil habitantes, concentram metade dos feminicídios do país. Mas apenas 5% desses municípios têm delegacias especializadas para mulheres. A omissão do poder público também é uma escolha política.
Nossa categoria é majoritariamente feminina. O machismo estrutural que mata também precariza, sobrecarrega e adoece. São faces da mesma lógica.
O SISMMAC está nas ruas neste 8 de Março cobrando políticas públicas reais. A vida das mulheres não cabe em discurso vazio.

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