Hoje, a Constituição obriga os municípios a aplicar pelo menos 25% da receita de impostos na Educação. Em Curitiba, a Prefeitura investe praticamente só o obrigatório: foram 25,42% em 2025, ou seja, perto do limite MÍNIMO.
E, mesmo assim, faltam professores, profissionais de apoio à inclusão e estrutura nas escolas. Há muitas turmas superlotadas e nossa categoria segue cobrando valorização, salários dignos e crescimento na carreira para todo o magistério. Agora, imagine se o prefeito Eduardo Pimentel não fosse obrigado a investir nem esse valor…
Pode isso?
A equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que pretende cortar até R$ 250 bilhões do orçamento federal. Mas por que a Educação é sempre atacada?
Uma das medidas seria acabar justamente com a obrigatoriedade de investimento no setor. A mudança também atingiria a complementação dos recursos do Fundeb.
Se hoje a Prefeitura de Curitiba já arranja desculpas para não cuidar da Educação, imagine com menos recursos do Fundeb. Iria dizer que não há dinheiro para reajustes salariais, crescimento na carreira, aumento do auxílio-alimentação e do auxílio-transporte, licenças, concursos e contratação de docentes e de profissionais de apoio à inclusão. E, também, que não haveria dinheiro para a construção de novas escolas ou para a reforma das existentes.
É assim que uma decisão tomada em Brasília pode chegar à sala de aula em Curitiba.
Os mesmos políticos também defendem uma Reforma Administrativa para facilitar a demissão de servidores e uma nova Reforma da Previdência, que pode aumentar a idade mínima para se aposentar e ampliar o confisco das aposentadorias.
O próprio candidato também afirmou que se inspiraria no “ótimo exemplo” de Javier Milei, presidente argentino que já demitiu mais de 77 mil servidores. Quem topa?
Por isso, quando se fala em “cortar gastos”, é preciso perguntar: por quê? De quem? E com qual consequência?
Porque, quando se mexe no financiamento da Educação, quem sente primeiro é quem está no chão da escola.










