Depois de prometer valorização do magistério durante a campanha eleitoral, o prefeito Eduardo Pimentel confirmou, na prática, que suas palavras não passaram de discurso vazio. A decisão de manter o Crescimento Vertical limitado a apenas 20% da categoria, mesmo após anos de congelamento da carreira, não é técnica. É política. Ela revela como a atual gestão enxerga a educação pública, o papel do magistério e o lugar que a valorização docente ocupa (ou não) no seu projeto de cidade.
É nesse cenário que se iniciarão as inscrições para o procedimento, das 8h do dia 2 de fevereiro até as 17h do dia 2 de março. Um processo que, na prática, reafirma a exclusão como padrão e frustra expectativas legítimas criadas pelo próprio prefeito.
Isso diz muito sobre o projeto de Pimentel para a educação:
1) Que sua gestão não considera a valorização da carreira como política pública estruturante, mas como concessão limitada.
2) Revela desprezo pelo esforço cotidiano de quem se qualifica e constrói a escola pública mesmo em condições adversas.
3) Demonstra uma visão empobrecida de educação, que descola a qualidade do ensino da valorização de quem está na sala de aula.
4) Reforça a precarização do trabalho docente, estimulando o conflito interno na categoria, ao mesmo tempo em que privilegia (novamente) quem ocupa cargos dentro da estrutura da administração.
5) Evidencia o rompimento com qualquer rito democrático de construção de políticas públicas, adotando decisões unilaterais e profundamente insensíveis.
Talvez para quem nasceu em berço de ouro, nunca dependeu da escola pública ou sequer precisou construir uma carreira com esforços próprios, seja difícil compreender o impacto real dessas escolhas. Mas para quem vive a realidade das unidades educacionais, o recado é claro: a educação não é prioridade.
Enquanto isso, a administração prefere repetir um modelo ultrapassado de gestão, que retira recursos da educação para espalhar obras pela cidade, porque elas rendem mais visibilidade em propagandas políticas. Curitiba, assim, mostra que é uma cidade sem um projeto de futuro.











