O FORMARE é o programa de formação continuada lançado pela Prefeitura de Curitiba para a alfabetização e a recomposição das aprendizagens na rede municipal. Mas o programa é excludente em vários sentidos, e isso pode impactar diretamente as oportunidades de crescimento na carreira do magistério.
Para participar como cursista, o Edital nº 6 restringe o acesso a regentes dos 1º, 2º, 4º e 5º anos, em Língua Portuguesa e/ou Matemática. Ficam de fora os professores do 3º ano, mesmo o programa sendo sobre alfabetização, além de profissionais de CMAEEs, CMEIs, educação especial, entre outros grupos.
Essa exclusão pode pesar na carreira, caso a participação em cursos e formações compatíveis com o cargo seja considerada na pontuação de crescimento profissional.
Já para atuar como formador ou ministrante do próprio FORMARE, os critérios são ainda mais excludentes. Só profissionais que já integram equipes técnicas da SME ou dos NREs podem ocupar essas funções. Uma professora com décadas de atuação em sala de aula e produção pedagógica reconhecida não pode ministrar curso no FORMARE se estiver lotada só na escola.
Essa restrição pesa porque atuar como ministrante, palestrante ou instrutor também já foi critério de pontuação diferenciada em procedimento de crescimento na carreira. Reservar essa oportunidade a quem já está na gestão cria uma vantagem extra dentro de um processo que a própria Prefeitura mantém como disputa concorrencial, com vagas limitadas e já marcado por desigualdades pela sua própria natureza.
Com tudo isso, a Prefeitura cria desde já critérios que vão impactar futuramente a carreira, como uma espécie de seleção prévia.
Sobrecarga
A formação ainda ocorre fora da jornada regular, à noite e em fim de semana. Isso soma mais sobrecarga e intensificação do trabalho sobre quem já dá conta da rotina escolar, reforça a falta de valorização do profissional da educação que está nas escolas, e aumenta a competitividade e o desgaste das relações dentro das próprias unidades.
O SISMMAC cobra que qualquer formação usada na avaliação de carreira seja acessível a todo o magistério.










