Enquanto faltam 1.700 professoras nas escolas municipais, mais de 2 mil na educação infantil, 460 pedagogas, centenas de inspetores e cerca de 4 mil profissionais de apoio para atender as crianças com necessidades especiais, a Prefeitura de Curitiba anuncia que pretende gastar milhões de reais para instalar catracas com reconhecimento facial em todas as escolas e CMEIs da rede.
Aquilo que alguns chamam de “modernização”, na verdade é a desumanização da escola pública. Uma catraca jamais substitui o trabalho pedagógico e o cuidado humano de profissionais qualificados. Em vez de acolher, cria-se um ambiente de vigilância em que estudantes são reduzidos a códigos de máquina. O espaço escolar, que deveria ser de diálogo, afeto e desenvolvimento, passa a ser marcado pelo controle e pelo medo, como nos roteiros distópicos de “1984”.
Em meio a tantas outras prioridades reais, essa escolha revela a prioridade do grupo que comanda a cidade: priorizar a transferência de recursos milionários dos cofres públicos para empresas privadas em detrimento do investimento direto em pessoas. É a plataformização da educação em sua versão mais cruel — transformar a escola em um laboratório de negócios para a tecnologia de vigilância.
Enquanto isso, o magistério segue com salários achatados e a Prefeitura alega não haver recursos para garantir o crescimento vertical por titulação acadêmica para todas as professoras e professores.
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) já ingressou com ação civil pública contra o governo Ratinho Jr. por um sistema semelhante no estado, alertando que o uso de reconhecimento facial viola a LGPD, coleta informações sensíveis sem base legal e expõe crianças a constrangimentos, falhas e até à comercialização ilegal de dados pessoais, um bilionário mercado clandestino.
Curitiba segue, assim, o caminho da “SEEDização”: aproximando-se de um modelo estadual rejeitado por especialistas, oposto aos países que alcançaram os melhores resultados educacionais no mundo, investindo em gente — não em catracas.
Seguimos na luta para que os recursos públicos sejam destinados à contratação de profissionais, à melhoria da estrutura e à valorização da categoria, e não a projetos que transformam a escola pública em palco de negócios privados e máquinas de vigilância.
Fonte: SISMMAC











