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Escolas sem luz na periferia, pressa nas áreas “nobres”: apagão expõe o preço social da privatização da Copel

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Escolas sem luz na periferia, pressa nas áreas nobres - apagão expõe o preço social da privatização da Copel

Os fortes ventos da quarta-feira (10) provocaram quedas de energia em diversas regiões de Curitiba. No entanto, a forma como o restabelecimento ocorreu escancarou uma desigualdade já conhecida na cidade. Enquanto nas áreas centrais e nos bairros que concentram a população mais abastada a energia voltou rapidamente, nas regiões periféricas a espera se arrastou por dias. Na sexta-feira (12), ainda havia bairros sem fornecimento regular.

O problema vai muito além do desconforto. Sem energia, a vida cotidiana fica comprometida: alimentos estragam, medicamentos perdem conservação, famílias ficam sem comunicação, a insegurança aumenta com a falta de iluminação pública e até o acesso à água pode ser afetado. Quem já tem pouco é quem perde mais.

Na educação pública, o impacto foi direto. Escolas de bairros como Campo de Santana, Tatuquara e Bairro Novo precisaram funcionar sem energia elétrica, com salas sem iluminação adequada, ventilação comprometida, impossibilidade de uso de equipamentos pedagógicos, dificuldades no preparo da alimentação escolar e riscos à segurança. Não se trata de um contratempo, mas de precarização concreta das condições de ensino e de trabalho.

Esse cenário não pode ser tratado como falha pontual. Energia elétrica é serviço essencial e deve ser prestado com universalidade e prioridade à vida, não ao lucro. A privatização da Copel (vendida a preço de banana pelo governo Ratinho Jr) alterou essa lógica. Quando uma empresa pública é entregue à iniciativa privada, o compromisso com o interesse coletivo dá lugar a metas financeiras, redução de equipes e decisões orientadas pelo lucro.

O resultado aparece nos momentos críticos: quem mora onde “dá mais retorno” é atendido primeiro, enquanto as periferias ficam por último. Estudos já mostraram que a privatização da Copel piorou o atendimento. A demora no restabelecimento da energia em bairros periféricos é mais uma evidência de um modelo que transforma direitos em mercadoria.

O SISMMAC cobra respostas e denuncia essa lógica. Privatização não é modernização. É uma escolha política para beneficiar certos grupos econômicos. E quando essa escolha deixa escolas e comunidades no escuro, fica evidente quem paga a conta.

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