Na quarta-feira (3), a Câmara Municipal de Curitiba realizou uma audiência pública sobre o atendimento a crianças e adolescentes autistas na rede municipal de ensino. O SISMMAC esteve presente para cobrar do poder público um compromisso real com políticas de inclusão de verdade, com investimentos, estrutura e valorização do magistério.
Desde as gestões Greca, a Prefeitura insiste em uma política de inclusão que é fake: sem coerência pedagógica, sem profissionais suficientes, sem recursos e sem estrutura. O resultado é a sobrecarga para as professoras, descaso com as famílias e a negação de direitos às crianças.
Hoje, profissionais de apoio, com formação na área, foram substituídos por estagiários sem a formação necessária. Nos CMAEEs, desde 2017 não há mais psicólogos e fonoaudiólogos e assistentes sociais. Enquanto isso, na rede de saúde as filas para consultas em neurologia e neuropediatria podem se arrastar por anos.
Outro ponto central é a formação da categoria. Apesar de fundamental, a Prefeitura desvaloriza as professoras que já se qualificaram. A política excludente de limitar o acesso ao crescimento vertical é a prova da incoerência: no discurso, diz que reconhece a necessidade de qualificação para enfrentar os desafios da inclusão. Na prática, não valoriza o esforço acadêmico da nossa categoria
Já os vereadores da base do prefeito fizeram falas reconhecendo a gravidade do cenário. Chegaram a admitir que professoras ganham mal e trabalham sem rede de apoio, que a inclusão funciona melhor na rede pública do que na privada, que é preciso desmistificar a ideia de que a escola pública não tem qualidade e investir em capacitação e adaptação das unidades. Mas são os mesmos parlamentares que, nas votações, apoiam o prefeito em medidas que retiram direitos, impedem o crescimento profissional e sustentam a política de desvalorização da nossa categoria.
A presidenta do SISMMAC, Diana Abreu, fez uma fala contundente, convidando os vereadores a conhecerem a realidade de quem atua na rede:
A inclusão de verdade exige contratações, estrutura e reconhecimento da formação acadêmica da nossa categoria. Curitiba não tem uma política séria e coerente de inclusão, e essa é também uma das razões que levaram o magistério municipal a aprovar o estado de greve.











