Flores. Bilhetes carinhosos. Bolachinhas com a frase “Lute como uma professora”. E até bolo feito por mãe de aluno para as professoras e os professores de uma das escolas da rede municipal.
Receber presentes das famílias por ter feito greve? Isso é inédito.
Mas é o que vem acontecendo com nossa categoria desde o dia 8 de abril. Temos recebido relatos e imagens de professoras que foram recebidas com gestos espontâneos de carinho e respeito, daqueles que só acontecem quando a confiança entre duas partes é real.
Esse sentimento não veio do nada. Veio do reconhecimento. As famílias viram de perto o que nossa categoria enfrenta: salas superlotadas, falta de profissionais, condições de trabalho que se deterioram enquanto a propaganda oficial vende uma cidade “modelo”. E viram também o que nossa categoria faz apesar disso tudo: o cuidado com cada criança, o esforço de quem não desiste, o compromisso de quem escolheu não se calar.
Esse reconhecimento foi construído ao longo de todo o processo de mobilização. De professoras que conversaram com as famílias, explicaram as pautas, mostraram a realidade das escolas. De uma categoria que foi às ruas não só pelos próprios direitos, mas também para defender o direito das crianças de Curitiba a uma educação pública de qualidade.
As famílias entenderam isso. E responderam com flores, com bilhetes, com bolo. Com acolhimento.
Não é possível dimensionar o que isso representa. Durante anos, alguns setores tentaram convencer a sociedade de que o magistério e as famílias estavam em lados opostos. Essa narrativa não cola mais em Curitiba. A resposta das famílias foi a prova mais bonita disso.
O que as famílias enxergaram foi a verdade: uma categoria que cuida, que luta e que leva a sério o compromisso de trabalhar para construir um futuro melhor para a atual e para as futuras gerações.
A população de Curitiba está comprovando isso. Agora, cabe à Prefeitura fazer o mesmo.











