As chuvas que castigaram Minas Gerais nas últimas semanas deixaram um rastro de destruição em diversas cidades do estado, com impactos gravíssimos especialmente em Juiz de Fora e Ubá. São centenas de desabrigados, mais de 8 mil desalojados, dezenas de mortos e prejuízos que somam dezenas de milhões de reais. Famílias inteiras perderam tudo.
Entre tudo que se perde numa enchente, há perdas que atingem as crianças de um jeito particular: os materiais escolares, os cadernos com as primeiras letras, os lápis de cor, os desenhos. Pequenos objetos que, para uma criança, carregam rotina, pertencimento e segurança.
Por isso, o SISMMAC está promovendo uma campanha de arrecadação de materiais escolares para ajudar essas crianças a retomarem os estudos e, com isso, também amenizar os impactos psicológicos provocados pelo trauma das perdas.
O que arrecadar: cadernos, canetas, lápis, borrachas, lápis de cor, apontadores e demais materiais escolares básicos.
Onde entregar: Sede do SISMMAC: Rua Nunes Machado, 1644, bairro Rebouças, Curitiba-PR.
Quem vive a escola todos os dias sabe o peso de uma mochila vazia. Ajude a enchê-la.
Mais do que as chuvas, a culpa é de Zema
Eventos climáticos extremos são uma realidade. Já a ausência de preparo do Estado é uma decisão política.
O governo de Romeu Zema (Novo, uma mistura de neoliberalismo com extremismo político) reduziu em 96% a verba estadual destinada à prevenção e resposta às chuvas: de cerca de 135 milhões de reais em 2023 para menos de 6 milhões em 2025. No mesmo período, flexibilizou agressivamente o licenciamento ambiental, permitindo que propriedades de até mil hectares operem com fiscalização autodeclaratória: os próprios latifundiários dizem se estão cumprindo a lei (inacreditável!).
A estrutura de fiscalização foi desmontada por dentro. A chefia da área ambiental trocou de mãos 11 vezes, diretorias foram extintas e o número de fiscais despencou.
O resultado está nas ruas alagadas, nas casas destruídas, nas vidas perdidas e nas famílias desabrigadas de Juiz de Fora e Ubá.
Isso não é fatalidade. É a lógica do Estado mínimo aplicada à proteção ambiental: lucro privado garantido, população abandonada na lama.











