No dia 17 de março, às 18h30, a Câmara Municipal realiza audiência pública para debater a militarização das escolas municipais. Esse momento precisa do magistério presente e da comunidade escolar.
Professoras e professores querem ambiente seguro, respeito e condições dignas de trabalho. Mas a Prefeitura tenta vender a ideia de que o que falta nas escolas é farda. Não é. Falta gente. Faltam equipes completas, profissionais de apoio, estrutura, políticas de inclusão e de convivência. Falta convocação de concursados e novos concursos. Falta valorização da carreira.
Nenhum país desenvolvido adotou a militarização como política educacional permanente. Simplesmente porque não funciona.
A escola não pode pagar a conta do fracasso da política de segurança pública e da desestruturação social que acontece fora dos muros.
Militarizar é admitir a falha da sociedade e transferir o problema para dentro das escolas, com aparência de ordem.
E o custo não é só pedagógico. Cargos e gratificações para militares da reserva drenam orçamento que deveria estar na escola: contratação, formação, equipes multidisciplinares e prevenção à violência. É a mesma lógica: trocar política pública por teatro de autoridade para render manchete e voto.
Há ainda um ponto grave, inclusive para quem defende “ordem”: quando militares cometem abusos, inclusive abusos sexuais, a responsabilização costuma ser lenta e atravessada por corporativismo. Geralmente, não há sequer punição. Escola não pode ser território de medo.
Não por acaso, os mesmos setores que hoje vendem a militarização como solução foram os que incentivaram ataques às professoras e aos professores ao longo dos anos, tentando jogar a sociedade contra quem está no chão da escola. Agora querem “corrigir” o problema que ajudaram a criar, com mais controle e menos educação.
Dia 17 é hora de ocupar a Câmara e dizer com clareza: a escola pública precisa de investimento e respeito ao magistério, não de espetáculo.
Segurança se constrói com responsabilidade. Não com fantasias.











