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Arrombamento em escola de Curitiba expõe o que os políticos insistem em esconder quando falam de segurança pública

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Arrombamento em escola de Curitiba expõe o que os políticos insistem em esconder quando falam de segurança pública

No último final de semana, a Escola Municipal Guilherme Braga foi arrombada. Criminosos tentaram furtar fios de cobre. A comunidade percebeu e acionou a polícia. Mesmo assim, foram destruídos aparelhos de ar-condicionado que, ironicamente, nunca chegaram a funcionar por falta de adequação da rede elétrica, um problema que o SISMMAC já denunciou.

O episódio é mais um sintoma de um problema que os gestores públicos se recusam a enfrentar de verdade: a segurança pública, que é responsabilidade do governo estadual e da Prefeitura, continua sendo tratada como pauta eleitoral por oportunistas, não como política séria.

Quando o assunto é escola, tentam transferir o debate para dentro dos muros, como se fosse dever das escolas “se proteger”. É uma cortina de fumaça. A violência que atinge as escolas é a mesma que atinge a população em geral.

E a raiz dela está na desigualdade social, uma das mais profundas do planeta, que não se combate com mais violência, mas com políticas públicas que reduzam a pobreza, gerem empregos com salários dignos e ampliem oportunidades reais. Enfrentar isso, porém, abala estruturas que são convenientes para quem detém o poder. E eles não querem.

O governador Ratinho Jr. dobrou as isenções fiscais para grandes empresários e para o agronegócio, de R$ 10 bilhões para R$ 20 bilhões por ano. A Prefeitura de Curitiba ampliou para R$ 100 milhões anuais suas isenções fiscais, boa parte por lobby político. Em muitos casos, os beneficiados têm ligações com quem toma as decisões.

Enquanto isso, o debate público sobre segurança se resume ao binômio “prender mais e matar mais”. Abordagem que não funciona nem a médio nem a longo prazo, porque não toca nas raízes do problema. Não é coincidência que os países com menores índices de violência são justamente aqueles que mais investem em educação, valorizam seus profissionais e tratam as escolas como patrimônio coletivo a ser protegido.

Mas quando o poder público abandona a escola, manda um recado à sociedade: “ela não importa”.

As escolas precisam ser mais estruturadas e protegidas, inclusive nos finais de semana. Essa é uma responsabilidade do poder público. Não da comunidade escolar, não das professoras, não dos alunos.

Quem governa é quem decide. E as consequências estão aí.

 

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