Sismac
  • 20 | 09 | 2019 - 15:22 Ed. Especial

    Prefeitura abre centro de “referência” em autismo: onde e pra quem?

    Prefeitura abre centro de “referência” em autismo: onde e pra quem?
    Propaganda na divulgação do novo centro esconde verdadeiros desafios enfrentados para o avanço da inclusão em Curitiba

    Quantos e quem são os alunos que usufruirão desse lugar chamado de referência? Virão de bairros como o Tatuquara, que fica mais de 30 km do Edifício Delta, onde foi inaugurado o CEETEA – Centro de Ensino Estruturado para o Transtorno do Espectro Autista? Para as famílias, realmente é um transtorno um local de tão difícil acesso!

    Redução do atendimento nos CMAEEs

    A Prefeitura vem restringindo o atendimento aos estudantes de inclusão do município desde 2017, reduzindo os atendimentos nos Centros Municipais de Atendimento Educacional Especializado (CMAEEs). Esses centros anteriormente contavam com atendimento de profissionais de fonoaudiologia e psicologia, tanto nas terapias como nas avaliações psicoeducacionais que são praticamente inexistentes na rede municipal.

    Com a falta desses atendimentos, os alunos são encaminhados para as unidades básicas de saúde, onde aguardam o atendimento para triagem e avaliações em filas intermináveis. Essa demora compromete em muito o desenvolvimento acadêmico e social dessas crianças. Sem contar que o atendimento é realizado em clínicas conveniadas que promovem terapias grupais ou de 30 minutos individuais, o que efetivamente não surte muito efeito.
    A começar pelas siglas, não há diálogo com a população! São tantas letras que o próprio nome já torna o lugar uma incógnita. Os termos rebuscados trazem a ideia do real distanciamento da gestão Greca em relação a população mais carente e que necessita de maior cuidado e atenção do poder público.

    Propaganda esconde falta de investimento para o avanço da inclusão

    Curitiba tem se tornado pioneira em maquiar e manipular dados que não representam a realidade da inclusão no município. Quando diz que o atendimento aumentou, não conta que isso ocorreu de forma precarizada e que os alunos de inclusão, que eram atendidos por profissionais formados e de carreira, hoje são atendidos por acadêmicos em formação. Os estagiários que atuam nessa função são chamados pela Prefeitura de profissionais de apoio, o que já é alvo de investigação do Ministério Público do Trabalho.

    A direção do SISMMAC vem promovendo ações junto com a comunidade escolar e com o Ministério Público. Em 2018, o Sindicato acompanhou várias famílias que estavam recebendo a recusa do por parte do município de terem acompanhamento especializado para seus filhos autistas.

    Esse é um direito garantido pela Lei 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que continua sendo desrespeitado pela Prefeitura. Além dessas crianças ficarem sem atendimento quando um estagiário desiste, o que é bem comum, pois o fato de não ter ainda a formação necessária para o apoio especializado interfere na conduta, que nos casos de inclusão exigem formação e experiência que um acadêmico ainda não possui, há também situações em que o “atendimento” é feito de forma compartilhada, onde o estagiário se divide entre dois ou mais alunos de inclusão em salas distintas.

    Esse ano também houve ameaças por parte da gestão de reduzir o trabalho criterioso realizado pelos professores das Salas de Recursos Multifuncionais. Além de realizarem um acompanhamento pedagógico individual dos alunos de inclusão, muitos deles autistas, também realizam um trabalho itinerante de visita às unidades escolares para orientar os professores e demais profissionais que acompanham a criança, em diálogo também com fisioterapeutas, médicos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Esse trabalho que é essencial para garantir um atendimento global às necessidades das crianças é feito mesmo sem contar com o apoio da Prefeitura para o deslocamento, utilizando carro próprio ou transporte público.

    Sem contar a dificuldade encontrada pelos profissionais nas unidades escolares que recebem pouco suporte para o atendimento que os estudantes e as famílias têm direito. Além das salas superlotadas e da falta de profissionais, há uma cobrança da comunidade pelo atendimento de qualidade e da Secretaria Municipal de Educação através dos Núcleos Regionais de Educação que pouco interfere de forma positiva nos casos de inclusão, que aumentam significativamente a cada ano.

    Ainda é preciso avançar muito na efetivação dos direitos da criança com deficiência para haver comemoração. Um centro de referência localizado em um local tão distante da maioria das unidades educacionais, principalmente das periferias da cidade demonstra que, a gestão Rafael Greca ainda não entendeu as reais necessidades das famílias e que se preocupa mais com a aparência do que com a realidade!

  • 20 | 09 | 2019 - 15:22 Ed. Especial

    Prefeitura abre centro de “referência” em autismo: onde e pra quem?

    Prefeitura abre centro de “referência” em autismo: onde e pra quem?
    Propaganda na divulgação do novo centro esconde verdadeiros desafios enfrentados para o avanço da inclusão em Curitiba

    Quantos e quem são os alunos que usufruirão desse lugar chamado de referência? Virão de bairros como o Tatuquara, que fica mais de 30 km do Edifício Delta, onde foi inaugurado o CEETEA – Centro de Ensino Estruturado para o Transtorno do Espectro Autista? Para as famílias, realmente é um transtorno um local de tão difícil acesso!

    Redução do atendimento nos CMAEEs

    A Prefeitura vem restringindo o atendimento aos estudantes de inclusão do município desde 2017, reduzindo os atendimentos nos Centros Municipais de Atendimento Educacional Especializado (CMAEEs). Esses centros anteriormente contavam com atendimento de profissionais de fonoaudiologia e psicologia, tanto nas terapias como nas avaliações psicoeducacionais que são praticamente inexistentes na rede municipal.

    Com a falta desses atendimentos, os alunos são encaminhados para as unidades básicas de saúde, onde aguardam o atendimento para triagem e avaliações em filas intermináveis. Essa demora compromete em muito o desenvolvimento acadêmico e social dessas crianças. Sem contar que o atendimento é realizado em clínicas conveniadas que promovem terapias grupais ou de 30 minutos individuais, o que efetivamente não surte muito efeito.
    A começar pelas siglas, não há diálogo com a população! São tantas letras que o próprio nome já torna o lugar uma incógnita. Os termos rebuscados trazem a ideia do real distanciamento da gestão Greca em relação a população mais carente e que necessita de maior cuidado e atenção do poder público.

    Propaganda esconde falta de investimento para o avanço da inclusão

    Curitiba tem se tornado pioneira em maquiar e manipular dados que não representam a realidade da inclusão no município. Quando diz que o atendimento aumentou, não conta que isso ocorreu de forma precarizada e que os alunos de inclusão, que eram atendidos por profissionais formados e de carreira, hoje são atendidos por acadêmicos em formação. Os estagiários que atuam nessa função são chamados pela Prefeitura de profissionais de apoio, o que já é alvo de investigação do Ministério Público do Trabalho.

    A direção do SISMMAC vem promovendo ações junto com a comunidade escolar e com o Ministério Público. Em 2018, o Sindicato acompanhou várias famílias que estavam recebendo a recusa do por parte do município de terem acompanhamento especializado para seus filhos autistas.

    Esse é um direito garantido pela Lei 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que continua sendo desrespeitado pela Prefeitura. Além dessas crianças ficarem sem atendimento quando um estagiário desiste, o que é bem comum, pois o fato de não ter ainda a formação necessária para o apoio especializado interfere na conduta, que nos casos de inclusão exigem formação e experiência que um acadêmico ainda não possui, há também situações em que o “atendimento” é feito de forma compartilhada, onde o estagiário se divide entre dois ou mais alunos de inclusão em salas distintas.

    Esse ano também houve ameaças por parte da gestão de reduzir o trabalho criterioso realizado pelos professores das Salas de Recursos Multifuncionais. Além de realizarem um acompanhamento pedagógico individual dos alunos de inclusão, muitos deles autistas, também realizam um trabalho itinerante de visita às unidades escolares para orientar os professores e demais profissionais que acompanham a criança, em diálogo também com fisioterapeutas, médicos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Esse trabalho que é essencial para garantir um atendimento global às necessidades das crianças é feito mesmo sem contar com o apoio da Prefeitura para o deslocamento, utilizando carro próprio ou transporte público.

    Sem contar a dificuldade encontrada pelos profissionais nas unidades escolares que recebem pouco suporte para o atendimento que os estudantes e as famílias têm direito. Além das salas superlotadas e da falta de profissionais, há uma cobrança da comunidade pelo atendimento de qualidade e da Secretaria Municipal de Educação através dos Núcleos Regionais de Educação que pouco interfere de forma positiva nos casos de inclusão, que aumentam significativamente a cada ano.

    Ainda é preciso avançar muito na efetivação dos direitos da criança com deficiência para haver comemoração. Um centro de referência localizado em um local tão distante da maioria das unidades educacionais, principalmente das periferias da cidade demonstra que, a gestão Rafael Greca ainda não entendeu as reais necessidades das famílias e que se preocupa mais com a aparência do que com a realidade!

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