Sismac
  • 14 | 09 | 2021 - 15:38 Informe-se

    SME burocratiza cada vez mais o trabalho pedagógico das unidades

    SME burocratiza cada vez mais o trabalho pedagógico das unidades
    Prefeitura está mais interessada em promover diversas ações burocráticas do que realizar reflexões qualificadas

    Que o trabalho do pedagogo é bastante burocratizado há muito tempo na nossa rede municipal todos nós já sabemos.

    Porém, na pandemia isso tem se intensificado! Com a possibilidade de formação online e utilização dos celulares para chamada de Meet, virou moda a Secretaria Municipal de Educação (SME) chamar e dizer que é “obrigatória” a participação das escolas em todos os eventos da secretaria. Isso varia desde formações pertinentes ao atendimento dos estudantes, que podem vir a somar no cotidiano da escola, até reuniões intermináveis em que se tenta salvar o ano letivo indicando fórmulas mágicas para que nos desdobremos e que consigamos recuperar o irrecuperável, a perda pedagógica com o ensino remoto.

    É claro que já sabíamos que essa conta recairia sobre o chão da escola. E como docentes que somos, não devemos nos negar a realizar formações e pensar em como garantir o aprendizado do estudante.

    O problema está no sentido de que nosso currículo está submetido a uma lógica automática e perversa, vinculada às perspectivas de avaliações externas como o SAEB.

    Deste que retornamos o ensino presencial da forma híbrida, temos nos desdobrado para diagnosticar o nível de aprendizado, retomar conteúdos básicos, elaborar atividades e pensar em ações que envolvam os estudantes. Além disso, temos buscado garantir o acompanhamento dos alunos remotos através de contato constante com as famílias, realização e correção de atividades. Tudo isso porque acreditamos na educação.

    Porém, ultrapassando os limites da perspectiva democrática, a gestão Greca tem sobrecarregado as escolas com planilhas de provas, aplicação da prova Curitiba de uma hora pra outra, formações, fóruns, reuniões “obrigatórias” que devem ser feitas online, com presença na unidade, o que piora ainda mais o trabalho, pois se o professor e pedagogo estão na escola, tem automaticamente outras demandas e acompanhar as formações fica conturbado e muitas vezes insuportável. Além disso, há também o problema da péssima qualidade da conexão Wi-Fi nas unidades escolares. Enquanto a Prefeitura insiste que os professores devem estar presentes nas unidades para acompanhar essas atividades, não garante as condições adequadas e nem a estrutura para que isso aconteça!

    Só neste último mês, os professores e pedagogos da rede foram chamados a participar da Semana Cultural, formação dos cadernos de transição, aplicação da prova e planilhamento da prova Curitiba, preenchimento de diferentes relatórios com as retomadas dos atendimentos do CMAEE e outros órgãos do DIAEE, elaboração do planejamento trimestral de acordo com a retomada de conteúdos das vídeo-aulas, realização de pré-conselho de classe, Semana pedagógica, e agora, já no início de setembro, de uma semana para outra fomos surpreendidos pela Semana Paulo Freire, que visa promover o debate sobre o PPP. Em vésperas de organização de conselho de classe, ficará muito difícil qualquer reflexão ser qualificada, quem dirá numa perspectiva crítica.

    Diante de tudo isso, há também a ironia da homenagem da gestão Greca ao educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, uma vez que a Prefeitura sempre adotou uma postura totalmente contrária aos princípios do homenageado, como a educação emancipatória e a gestão democrática nas escolas.

    Para a SME parece que é mais importante as datas e promover a propaganda de suas ações pedagógicas do que realmente dialogar com as necessidades do chão da escola.

    A construção do PPP requer diálogo, estudo e planejamento coletivo. É lamentável que se inicie desta forma, imposta pela SME.

    Ressaltamos que a formação não é obrigatória, pois se o professor está presente na unidade, está cumprindo o seu horário de trabalho. No próprio ofício da SME que orienta a formação, está claro que a formação é obrigatória apenas para quem deseja certificação.

    Neste sentido, sem Plano de Carreira, sem valorização por tempo de serviço nos questionamos de que vale participar dessas formações que em vários momentos nos exaurem e não tem acrescentado em nosso cotidiano?

    Fica a reflexão para nós professores e professoras comprometidos de fato com a educação pública da cidade, mas que não aceitam esse controle e engessamento.

    Fazer um debate pedagógico na escola de forma autônoma e coletiva é tarefa quase impossível! Tempos difíceis! Precisamos recuperar a força, o fôlego e seguir para o enfrentamento da burocracia!



  • 14 | 09 | 2021 - 15:38 Informe-se

    SME burocratiza cada vez mais o trabalho pedagógico das unidades

    SME burocratiza cada vez mais o trabalho pedagógico das unidades
    Prefeitura está mais interessada em promover diversas ações burocráticas do que realizar reflexões qualificadas

    Que o trabalho do pedagogo é bastante burocratizado há muito tempo na nossa rede municipal todos nós já sabemos.

    Porém, na pandemia isso tem se intensificado! Com a possibilidade de formação online e utilização dos celulares para chamada de Meet, virou moda a Secretaria Municipal de Educação (SME) chamar e dizer que é “obrigatória” a participação das escolas em todos os eventos da secretaria. Isso varia desde formações pertinentes ao atendimento dos estudantes, que podem vir a somar no cotidiano da escola, até reuniões intermináveis em que se tenta salvar o ano letivo indicando fórmulas mágicas para que nos desdobremos e que consigamos recuperar o irrecuperável, a perda pedagógica com o ensino remoto.

    É claro que já sabíamos que essa conta recairia sobre o chão da escola. E como docentes que somos, não devemos nos negar a realizar formações e pensar em como garantir o aprendizado do estudante.

    O problema está no sentido de que nosso currículo está submetido a uma lógica automática e perversa, vinculada às perspectivas de avaliações externas como o SAEB.

    Deste que retornamos o ensino presencial da forma híbrida, temos nos desdobrado para diagnosticar o nível de aprendizado, retomar conteúdos básicos, elaborar atividades e pensar em ações que envolvam os estudantes. Além disso, temos buscado garantir o acompanhamento dos alunos remotos através de contato constante com as famílias, realização e correção de atividades. Tudo isso porque acreditamos na educação.

    Porém, ultrapassando os limites da perspectiva democrática, a gestão Greca tem sobrecarregado as escolas com planilhas de provas, aplicação da prova Curitiba de uma hora pra outra, formações, fóruns, reuniões “obrigatórias” que devem ser feitas online, com presença na unidade, o que piora ainda mais o trabalho, pois se o professor e pedagogo estão na escola, tem automaticamente outras demandas e acompanhar as formações fica conturbado e muitas vezes insuportável. Além disso, há também o problema da péssima qualidade da conexão Wi-Fi nas unidades escolares. Enquanto a Prefeitura insiste que os professores devem estar presentes nas unidades para acompanhar essas atividades, não garante as condições adequadas e nem a estrutura para que isso aconteça!

    Só neste último mês, os professores e pedagogos da rede foram chamados a participar da Semana Cultural, formação dos cadernos de transição, aplicação da prova e planilhamento da prova Curitiba, preenchimento de diferentes relatórios com as retomadas dos atendimentos do CMAEE e outros órgãos do DIAEE, elaboração do planejamento trimestral de acordo com a retomada de conteúdos das vídeo-aulas, realização de pré-conselho de classe, Semana pedagógica, e agora, já no início de setembro, de uma semana para outra fomos surpreendidos pela Semana Paulo Freire, que visa promover o debate sobre o PPP. Em vésperas de organização de conselho de classe, ficará muito difícil qualquer reflexão ser qualificada, quem dirá numa perspectiva crítica.

    Diante de tudo isso, há também a ironia da homenagem da gestão Greca ao educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, uma vez que a Prefeitura sempre adotou uma postura totalmente contrária aos princípios do homenageado, como a educação emancipatória e a gestão democrática nas escolas.

    Para a SME parece que é mais importante as datas e promover a propaganda de suas ações pedagógicas do que realmente dialogar com as necessidades do chão da escola.

    A construção do PPP requer diálogo, estudo e planejamento coletivo. É lamentável que se inicie desta forma, imposta pela SME.

    Ressaltamos que a formação não é obrigatória, pois se o professor está presente na unidade, está cumprindo o seu horário de trabalho. No próprio ofício da SME que orienta a formação, está claro que a formação é obrigatória apenas para quem deseja certificação.

    Neste sentido, sem Plano de Carreira, sem valorização por tempo de serviço nos questionamos de que vale participar dessas formações que em vários momentos nos exaurem e não tem acrescentado em nosso cotidiano?

    Fica a reflexão para nós professores e professoras comprometidos de fato com a educação pública da cidade, mas que não aceitam esse controle e engessamento.

    Fazer um debate pedagógico na escola de forma autônoma e coletiva é tarefa quase impossível! Tempos difíceis! Precisamos recuperar a força, o fôlego e seguir para o enfrentamento da burocracia!



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