Sismac
  • 28 | 05 | 2021 - 17:57 Informe-se

    Prefeitura espera o colapso para decretar a bandeira vermelha

    Prefeitura espera o colapso para decretar a bandeira vermelha
    Medidas mais restritivas chegam quando o caos do sistema de saúde já está instalado

    Nesta sexta (28), a Prefeitura de Curitiba decretou a bandeira vermelha, com medidas mais restritivas de combate à covid-19. A medida vem depois de muitos anúncios e avisos feitos pela secretária de saúde, Márcia Huçulak, mas chega com atraso, quando o caos e o cenário de guerra nas unidades de saúde já eram inevitáveis.

    O colapso do sistema de saúde de Curitiba já era fato consumado dias atrás. Com a aceleração das taxas de contágio e medidas pouco efetivas de controle, o resultado já era conhecido: uma avalanche de casos nas unidades de saúde, que levariam à lotação de UPAS e hospitais, terminando, infelizmente, em crescimento do número de mortes.

    Dez dias atrás, os sindicatos já denunciavam que a demora da Prefeitura de Curitiba para agir e decretar a bandeira vermelha custaria vidas. Mesmo com todos os dados apontando que o colapso era inevitável – ou seja, que muitas pessoas viriam a morrer vítimas de Covid-19 sem ter acesso aos recursos de saúde necessários para que tenha chances de sobreviver à infecção.

    Mas, mesmo assim o desgoverno Greca manteve sua péssima gestão na pandemia e demorou a agir. A falta de planejamento e organização da gestão resulta em prejuízos tanto para a população que precisa do atendimento de saúde, quanto para os trabalhadores que mantém o sistema municipal de saúde em funcionamento, mesmo com a falta de estrutura, com a equipe reduzida e falta de valorização. As unidades básicas de saúde voltam a funcionar como mini UPAs, mas sem condições de estrutura, equipamentos, nem treinamento para isso.

    Infelizmente, a situação ainda vai piorar nos próximos dias, como mostra a experiência anterior. Curitiba esteve sob bandeira vermelha entre 13 de março e 5 de abril. Na época, a confirmação diária de novos casos passava de 1.200 e a cidade tinha 12.365 casos ativos confirmados.Somente após três semanas da adoção de medidas mais restritivas é que foi possível visualizar uma redução significativa no númerode novos casos diários:no dia 6 de abril foram registrados 695 novos casos, quase metade do que era registrado no início da bandeira vermelha.

    Os dados recentes mostram que a restrição de circulação de pessoas e de funcionamento de atividades não essenciais é eficiente para desacelerar o vírus, mas os resultados não são imediatos. Se o decreto restritivo tivesse sido publicado dez dias atrás, hoje estaríamos observando uma estabilização dos casos e posterior redução. Quantas vidas mais vão custar esse atraso?

    Subnotificação mascara a realidade

    Outro problema gravíssimo no controle da pandemia é a subnotificação, reflexo da quantidade insuficiente de testes. Sem testar toda a população, fica mais fácil mascarar a realidade e manter o funcionamento quase normal das atividades da cidade. Mas é nos leitos de hospitais e UPAs que a realidade dá as caras e comprova que a situação é muito mais grave do que Greca e Huçulak deixam transparecer.

    Dados divulgados pelo farol Covid em 7 de maio mostravam que a cada 10 pessoas infectadas na regional de saúde de Curitiba, oito não eram diagnosticadas! Se a estimativa é de que apenas 20% dos casos são testados e confirmados, então o número real de casos ativos com possibilidade de transmissão é muito maior do que o divulgado pela Prefeitura. A estimativa de casos ativos para a primeira semana de maio era de 19.015, muito acima dos 6.906 casos ativos divulgados no boletim diário da Prefeitura de Curitiba.

    A subnotificação dificulta e muito o controle da doença, afinal sem o rastreamento dos casos não há como garantir o isolamento adequado dos infectados para reduzir a transmissão. De acordo com uma pesquisa da UFPR, cada ônibus biarticulado, por exemplo, tem três positivos sem sintomas transmitindo o vírus.

    Ou seja, 1,5% das pessoas testadas, mesmo sem sintomas, estava infectada com o coronavírus, cenário que preocupa devido ao potencial de propagação da infecção por pessoas contaminadas, mas assintomáticas, que não são isoladas. O dado divulgado pelo jornal Plural é resultado de uma testagem em massa promovido pela universidade, que realizou cerca de 25 mil testes RT-PCR para covid-19 em alunos, servidores e trabalhadores terceirizados da UFPR, UTFPR e coabitantes.

    Para diminuir a subnotificação a única saída seria a realização de testagem em massa, medida que não foi adotada pela gestão de Curitiba em nenhum momento.

    Desgoverno genocida

    As medidas fracassadas da gestão municipal de controle da pandemia são agravadas pela postura do governo federal diante da grave crise sanitária e econômica que assola o país. Bolsonaro e seus apoiados seguem o seu discurso negacionista, contra o isolamento social e a favor da cloroquina. Diariamente, o presidente genocida e sua turma produzem mais provas de que os números assustadores de mortes no país não acontecem por acaso, faz parte de um projeto de matança dos trabalhadores.

    Não é à toa que o governo rejeitou a vacina, promove aglomerações e oferece às famílias trabalhadoras um auxílio emergencial que não é capaz de colocar comida na mesa das famílias trabalhadoras que passam por dificuldades neste momento.

    Como se não bastasse, nesta quinta-feira (27) Bolsonaro entrou com uma ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra estados e municípios que decretaram o lockdown e o toque de recolher. Essa já é a segunda vez que o genocida recorre ao STF para tentar coibir ações que podem salvar vidas.

    Por isso, o clamor da classe trabalhadora é um só: Fora, Bolsonaro!

  • 28 | 05 | 2021 - 17:57 Informe-se

    Prefeitura espera o colapso para decretar a bandeira vermelha

    Prefeitura espera o colapso para decretar a bandeira vermelha
    Medidas mais restritivas chegam quando o caos do sistema de saúde já está instalado

    Nesta sexta (28), a Prefeitura de Curitiba decretou a bandeira vermelha, com medidas mais restritivas de combate à covid-19. A medida vem depois de muitos anúncios e avisos feitos pela secretária de saúde, Márcia Huçulak, mas chega com atraso, quando o caos e o cenário de guerra nas unidades de saúde já eram inevitáveis.

    O colapso do sistema de saúde de Curitiba já era fato consumado dias atrás. Com a aceleração das taxas de contágio e medidas pouco efetivas de controle, o resultado já era conhecido: uma avalanche de casos nas unidades de saúde, que levariam à lotação de UPAS e hospitais, terminando, infelizmente, em crescimento do número de mortes.

    Dez dias atrás, os sindicatos já denunciavam que a demora da Prefeitura de Curitiba para agir e decretar a bandeira vermelha custaria vidas. Mesmo com todos os dados apontando que o colapso era inevitável – ou seja, que muitas pessoas viriam a morrer vítimas de Covid-19 sem ter acesso aos recursos de saúde necessários para que tenha chances de sobreviver à infecção.

    Mas, mesmo assim o desgoverno Greca manteve sua péssima gestão na pandemia e demorou a agir. A falta de planejamento e organização da gestão resulta em prejuízos tanto para a população que precisa do atendimento de saúde, quanto para os trabalhadores que mantém o sistema municipal de saúde em funcionamento, mesmo com a falta de estrutura, com a equipe reduzida e falta de valorização. As unidades básicas de saúde voltam a funcionar como mini UPAs, mas sem condições de estrutura, equipamentos, nem treinamento para isso.

    Infelizmente, a situação ainda vai piorar nos próximos dias, como mostra a experiência anterior. Curitiba esteve sob bandeira vermelha entre 13 de março e 5 de abril. Na época, a confirmação diária de novos casos passava de 1.200 e a cidade tinha 12.365 casos ativos confirmados.Somente após três semanas da adoção de medidas mais restritivas é que foi possível visualizar uma redução significativa no númerode novos casos diários:no dia 6 de abril foram registrados 695 novos casos, quase metade do que era registrado no início da bandeira vermelha.

    Os dados recentes mostram que a restrição de circulação de pessoas e de funcionamento de atividades não essenciais é eficiente para desacelerar o vírus, mas os resultados não são imediatos. Se o decreto restritivo tivesse sido publicado dez dias atrás, hoje estaríamos observando uma estabilização dos casos e posterior redução. Quantas vidas mais vão custar esse atraso?

    Subnotificação mascara a realidade

    Outro problema gravíssimo no controle da pandemia é a subnotificação, reflexo da quantidade insuficiente de testes. Sem testar toda a população, fica mais fácil mascarar a realidade e manter o funcionamento quase normal das atividades da cidade. Mas é nos leitos de hospitais e UPAs que a realidade dá as caras e comprova que a situação é muito mais grave do que Greca e Huçulak deixam transparecer.

    Dados divulgados pelo farol Covid em 7 de maio mostravam que a cada 10 pessoas infectadas na regional de saúde de Curitiba, oito não eram diagnosticadas! Se a estimativa é de que apenas 20% dos casos são testados e confirmados, então o número real de casos ativos com possibilidade de transmissão é muito maior do que o divulgado pela Prefeitura. A estimativa de casos ativos para a primeira semana de maio era de 19.015, muito acima dos 6.906 casos ativos divulgados no boletim diário da Prefeitura de Curitiba.

    A subnotificação dificulta e muito o controle da doença, afinal sem o rastreamento dos casos não há como garantir o isolamento adequado dos infectados para reduzir a transmissão. De acordo com uma pesquisa da UFPR, cada ônibus biarticulado, por exemplo, tem três positivos sem sintomas transmitindo o vírus.

    Ou seja, 1,5% das pessoas testadas, mesmo sem sintomas, estava infectada com o coronavírus, cenário que preocupa devido ao potencial de propagação da infecção por pessoas contaminadas, mas assintomáticas, que não são isoladas. O dado divulgado pelo jornal Plural é resultado de uma testagem em massa promovido pela universidade, que realizou cerca de 25 mil testes RT-PCR para covid-19 em alunos, servidores e trabalhadores terceirizados da UFPR, UTFPR e coabitantes.

    Para diminuir a subnotificação a única saída seria a realização de testagem em massa, medida que não foi adotada pela gestão de Curitiba em nenhum momento.

    Desgoverno genocida

    As medidas fracassadas da gestão municipal de controle da pandemia são agravadas pela postura do governo federal diante da grave crise sanitária e econômica que assola o país. Bolsonaro e seus apoiados seguem o seu discurso negacionista, contra o isolamento social e a favor da cloroquina. Diariamente, o presidente genocida e sua turma produzem mais provas de que os números assustadores de mortes no país não acontecem por acaso, faz parte de um projeto de matança dos trabalhadores.

    Não é à toa que o governo rejeitou a vacina, promove aglomerações e oferece às famílias trabalhadoras um auxílio emergencial que não é capaz de colocar comida na mesa das famílias trabalhadoras que passam por dificuldades neste momento.

    Como se não bastasse, nesta quinta-feira (27) Bolsonaro entrou com uma ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra estados e municípios que decretaram o lockdown e o toque de recolher. Essa já é a segunda vez que o genocida recorre ao STF para tentar coibir ações que podem salvar vidas.

    Por isso, o clamor da classe trabalhadora é um só: Fora, Bolsonaro!

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