Sismac
  • 24 | 06 | 2020 - 17:46 Além dos muros da escola

    Abrir comércio sem ampliar leitos de UTI leva Curitiba ao colapso

    Abrir comércio sem ampliar leitos de UTI leva Curitiba ao colapso
    Hospitais lotados e nenhuma previsão de hospital de campanha; servidores infectados e ainda faltam medidas de proteção

    Os leitos de UTI reservados para casos de Covid-19 já estão lotados nos hospitais Evangélico e do Trabalhador. Os dados publicados nesta terça-feira (23) também marcam o dia em que o total de mortes chegou a 114.

    Como já era de se esperar, o número de casos explodiu desde que foram adotadas medidas de flexibilização do isolamento social, como a reabertura do comércio e a retomada de atividades não essenciais. A tragédia já era previsível, mas a Prefeitura agiu com lentidão para ampliar o número de leitos exclusivos para Covid-19.

    Em abril, quando o comércio foi reaberto, Greca afirmou que não construiria um hospital de campanha, alegando que esse tipo de estrutura era desnecessária e que seriam utilizados leitos de hospitais particulares se necessárioO problema é que a quantidade de leitos de UTI disponibilizados para a Covid-19 aumenta em ritmo muito mais lento do que o número de casos. Agora, Curitiba conta 223 leitos reservados para Covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS) e 48 na rede privada. O resultado da falta de preparo é o aumento rápido da ocupação dos leitos de UTIs em dois dos maiores hospitais de referência para tratamento da Covid-19.

    Embora a estrutura de Curitiba seja propagandeada como uma das melhores do país, temos no total apenas 1.030 leitos de UTI para 1,7 milhões de habitantes, somando a rede pública e privada. Basta fazer as contas para entender que a situação é grave, e ainda vai piorar.Então, por que não se preparar e reforçar a estrutura de atendimento à saúde?

    Curitiba entrou em alerta laranja para tentar reduzir a circulação do vírus e evitar o colapso nas UTIs. Entretanto, não basta emitir o alerta e esperar que as pessoas fiquem em casa se o poder públiconão fiscaliza o funcionamento do comércio, não impõe punição ou multa para quem organiza festas e não garante sequer renda mínima para os trabalhadores informais e desempregados.Os shoppings continuam abertos. A população segue sendo obrigada a se aglomerar em ônibus lotados. E, para os servidores, não estão sendo adotadas todas as medidas de proteção que poderiam reduzir os riscos de contágio.

    A cada dia, mais casos de trabalhadores da linha de frente são infectados, com exemplos de perdas tristes e irreparáveis de trabalhadores da saúde, como do médico Caio, 33 anos, da técnica de enfermagem Carla, 30 anos, e do socorrista do SAMU Jaruga, 55 anos (suspeita de Covid-19 ainda em investigação).

    Entre os servidores municipais, o medo é constante e todos os dias chegam relatos de trabalhadores preocupados com colegas infectados e sem a chance de fazer testes.

    O mesmo podemos dizer sobre a falta de servidores. Os concursos tiveram sua validade ampliada, incluindo os concursos para enfermagem e para magistério. Se há profissionais aprovados em concurso e na ponta faltam servidores, por que não fazer a convocação com urgência?

    E não é por falta de cobrança!Desde o início da pandemia o SISMUC e o SISMMAC vêm trabalhando de forma incansável em várias frentes: cobrando a distribuição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados e a adoção de medidas de prevenção, pressionando a gestão por meio de ofícios e reuniões, dando visibilidade às denúncias dos servidores, levando as denúncias ao Ministério Público do Trabalho e, muitas vezes, cumprindo um papel que deveria ser da própria Prefeitura, de orientar e explicar aos servidores as formas de se proteger contra o coronavírus.

    A piora da pandemia mostra que é necessário seguir firmes nessa longa luta que ainda temos pela frente, junto com o conjunto dos servidores!
  • 24 | 06 | 2020 - 17:46 Além dos muros da escola

    Abrir comércio sem ampliar leitos de UTI leva Curitiba ao colapso

    Abrir comércio sem ampliar leitos de UTI leva Curitiba ao colapso
    Hospitais lotados e nenhuma previsão de hospital de campanha; servidores infectados e ainda faltam medidas de proteção

    Os leitos de UTI reservados para casos de Covid-19 já estão lotados nos hospitais Evangélico e do Trabalhador. Os dados publicados nesta terça-feira (23) também marcam o dia em que o total de mortes chegou a 114.

    Como já era de se esperar, o número de casos explodiu desde que foram adotadas medidas de flexibilização do isolamento social, como a reabertura do comércio e a retomada de atividades não essenciais. A tragédia já era previsível, mas a Prefeitura agiu com lentidão para ampliar o número de leitos exclusivos para Covid-19.

    Em abril, quando o comércio foi reaberto, Greca afirmou que não construiria um hospital de campanha, alegando que esse tipo de estrutura era desnecessária e que seriam utilizados leitos de hospitais particulares se necessárioO problema é que a quantidade de leitos de UTI disponibilizados para a Covid-19 aumenta em ritmo muito mais lento do que o número de casos. Agora, Curitiba conta 223 leitos reservados para Covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS) e 48 na rede privada. O resultado da falta de preparo é o aumento rápido da ocupação dos leitos de UTIs em dois dos maiores hospitais de referência para tratamento da Covid-19.

    Embora a estrutura de Curitiba seja propagandeada como uma das melhores do país, temos no total apenas 1.030 leitos de UTI para 1,7 milhões de habitantes, somando a rede pública e privada. Basta fazer as contas para entender que a situação é grave, e ainda vai piorar.Então, por que não se preparar e reforçar a estrutura de atendimento à saúde?

    Curitiba entrou em alerta laranja para tentar reduzir a circulação do vírus e evitar o colapso nas UTIs. Entretanto, não basta emitir o alerta e esperar que as pessoas fiquem em casa se o poder públiconão fiscaliza o funcionamento do comércio, não impõe punição ou multa para quem organiza festas e não garante sequer renda mínima para os trabalhadores informais e desempregados.Os shoppings continuam abertos. A população segue sendo obrigada a se aglomerar em ônibus lotados. E, para os servidores, não estão sendo adotadas todas as medidas de proteção que poderiam reduzir os riscos de contágio.

    A cada dia, mais casos de trabalhadores da linha de frente são infectados, com exemplos de perdas tristes e irreparáveis de trabalhadores da saúde, como do médico Caio, 33 anos, da técnica de enfermagem Carla, 30 anos, e do socorrista do SAMU Jaruga, 55 anos (suspeita de Covid-19 ainda em investigação).

    Entre os servidores municipais, o medo é constante e todos os dias chegam relatos de trabalhadores preocupados com colegas infectados e sem a chance de fazer testes.

    O mesmo podemos dizer sobre a falta de servidores. Os concursos tiveram sua validade ampliada, incluindo os concursos para enfermagem e para magistério. Se há profissionais aprovados em concurso e na ponta faltam servidores, por que não fazer a convocação com urgência?

    E não é por falta de cobrança!Desde o início da pandemia o SISMUC e o SISMMAC vêm trabalhando de forma incansável em várias frentes: cobrando a distribuição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados e a adoção de medidas de prevenção, pressionando a gestão por meio de ofícios e reuniões, dando visibilidade às denúncias dos servidores, levando as denúncias ao Ministério Público do Trabalho e, muitas vezes, cumprindo um papel que deveria ser da própria Prefeitura, de orientar e explicar aos servidores as formas de se proteger contra o coronavírus.

    A piora da pandemia mostra que é necessário seguir firmes nessa longa luta que ainda temos pela frente, junto com o conjunto dos servidores!

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