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    Brasil - O querer das Margaridas

    A Marcha das Margaridas reuniu 30 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios em 22de agosto. Entre as reivindicações do movimento estão o combate à pobreza, à fome e à violência sexista. Leia a seguir o depoimento de Iolanda Toshie Ide sobre a manifestação.

    Iolanda Toshie Ide

    Adital - Início da década de 80, estávamos na Paraíba. Maria de Lourdes Carvalho, assistente social (falecida no ano passado), colega de Luiza Erundina de Souza, providenciara hospedagem para nós numa casa acolhedora cuja anfitriã se dedicava a apoiar a organização de trabalhadoras/es rurais em vários locais como Alagoa Grande e Cachorrinhos.

    Ouvimos falar, pela primeira vez, de Margarida Maria Alves. Paraibana de Alagoa Grande, mulher simples e aguerrida, presidenta do Sindicato de Trabalhadoras/es rurais de Alagoa Grande, atraía muitas/os trabalhadoras/es que passaram a reivindicar seus direitos por meio de centenas de ações trabalhistas.

    Sofreu várias ameaças por parte dos latifundiários, mas afirmava preferir morrer na luta que morrer de fome. Foi assassinada em frente a sua casa, a mando dos latifundiários, diante do marido e filhos. Seu cérebro estraçalhado deixou seus fragmentos colados no muro da casa. Até hoje seus assassinos estão impunes.

    Pensei em Elizabeth Teixeira, também da Paraíba, cujo marido fora assassinado pela mesma causa, e que, em 1964, precisou fugir para outro Estado, também ameaçada de morte. Sua saga foi documentada por Eduardo Coutinho no premiado (em Cannes) filme Cabra Marcado para Morrer, iniciado em 1962 e concluído em 1979.

    Já me encontrava de volta a Lins. Consternadas recebemos a notícia do assassinato de Margarida Maria Alves no dia 12 de agosto (1983). Tive a clara sensação que não seria em vão: ela ressurgiria das cinzas, em outras tantas margaridas.

    As organizações rurais foram aos poucos se fortalecendo, as mulheres começaram a participar com mais voz e vez. No ano 2000, aderindo à Marcha Mundial das Mulheres, 20 mil trabalhadoras rurais marcharam até Brasília reivindicando seus direitos em homenagem a Margarida Maria Alves. Inesquecível essa 1ª Marcha das Margaridas. Em 2003, na 2ª Marcha pelos 20 anos da morte de Margarida, elas eram 40 mil. Agora, foram 50 mil que floriram Brasília com seus chapéus de palha com fitas lilases (cor do feminismo) e suas bandeiras verdes, brancas, lilases.

    Eram trabalhadoras rurais, quilombolas, quebradeiras de coco, pescadoras artesanais, mulheres do campo e da floresta, atingidas/ameaçadas por barragens, de todas as raças e etnias, jovens ou idosas. Algumas haviam saído de casa há uma semana, por via fluvial até chegar a uma rodovia que as trouxe de ônibus. Viajaram com suas redes e colchonetes, marmitas e... muita garra.

    Chegaram pela manhã do dia 21 no Pavilhão do Parque da Cidade. Uma apoteótica abertura marcou também a inauguração da Feira Solidária das Margaridas.

    À tarde, em cinco grupos, debateram temas candentes:
    - Democratização dos Recursos Naturais: terra, água e agroecologia\
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    A Marcha das Margaridas reuniu 30 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios em 22de agosto. Entre as reivindicações do movimento estão o combate à pobreza, à fome e à violência sexista. Leia a seguir o depoimento de Iolanda Toshie Ide sobre a manifestação.

    Iolanda Toshie Ide

    Adital - Início da década de 80, estávamos na Paraíba. Maria de Lourdes Carvalho, assistente social (falecida no ano passado), colega de Luiza Erundina de Souza, providenciara hospedagem para nós numa casa acolhedora cuja anfitriã se dedicava a apoiar a organização de trabalhadoras/es rurais em vários locais como Alagoa Grande e Cachorrinhos.

    Ouvimos falar, pela primeira vez, de Margarida Maria Alves. Paraibana de Alagoa Grande, mulher simples e aguerrida, presidenta do Sindicato de Trabalhadoras/es rurais de Alagoa Grande, atraía muitas/os trabalhadoras/es que passaram a reivindicar seus direitos por meio de centenas de ações trabalhistas.

    Sofreu várias ameaças por parte dos latifundiários, mas afirmava preferir morrer na luta que morrer de fome. Foi assassinada em frente a sua casa, a mando dos latifundiários, diante do marido e filhos. Seu cérebro estraçalhado deixou seus fragmentos colados no muro da casa. Até hoje seus assassinos estão impunes.

    Pensei em Elizabeth Teixeira, também da Paraíba, cujo marido fora assassinado pela mesma causa, e que, em 1964, precisou fugir para outro Estado, também ameaçada de morte. Sua saga foi documentada por Eduardo Coutinho no premiado (em Cannes) filme Cabra Marcado para Morrer, iniciado em 1962 e concluído em 1979.

    Já me encontrava de volta a Lins. Consternadas recebemos a notícia do assassinato de Margarida Maria Alves no dia 12 de agosto (1983). Tive a clara sensação que não seria em vão: ela ressurgiria das cinzas, em outras tantas margaridas.

    As organizações rurais foram aos poucos se fortalecendo, as mulheres começaram a participar com mais voz e vez. No ano 2000, aderindo à Marcha Mundial das Mulheres, 20 mil trabalhadoras rurais marcharam até Brasília reivindicando seus direitos em homenagem a Margarida Maria Alves. Inesquecível essa 1ª Marcha das Margaridas. Em 2003, na 2ª Marcha pelos 20 anos da morte de Margarida, elas eram 40 mil. Agora, foram 50 mil que floriram Brasília com seus chapéus de palha com fitas lilases (cor do feminismo) e suas bandeiras verdes, brancas, lilases.

    Eram trabalhadoras rurais, quilombolas, quebradeiras de coco, pescadoras artesanais, mulheres do campo e da floresta, atingidas/ameaçadas por barragens, de todas as raças e etnias, jovens ou idosas. Algumas haviam saído de casa há uma semana, por via fluvial até chegar a uma rodovia que as trouxe de ônibus. Viajaram com suas redes e colchonetes, marmitas e... muita garra.

    Chegaram pela manhã do dia 21 no Pavilhão do Parque da Cidade. Uma apoteótica abertura marcou também a inauguração da Feira Solidária das Margaridas.

    À tarde, em cinco grupos, debateram temas candentes:
    - Democratização dos Recursos Naturais: terra, água e agroecologia\

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