Sismac
  • 09 | 08 | 2019 - 17:15 Informe-se

    Future-se pra quem?

    Future-se pra quem?
    A farsa da modernização para ampliar a privatização
    O novo programa do governo federal para a educação, o Future-se, contém uma receita antiga e conhecida de todos nós: privatizar para lucrar mais. O projeto dá continuidade ao anúncio do corte de 30% do orçamento das universidades e institutos federais. A proposta está alinhada à política de Jair Bolsonaro e a tudo que o presidente fez nesses sete meses de mandato: entregar direitos sociais como saúde, educação, aposentadoria, entre outros, à iniciativa privada e transformar aquilo que hoje é direito para os trabalhadores em um balcão de negócios para empresas e bancos.

    O anúncio do Future-se, feito pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, veio carregado de um discurso de modernização da administração das universidades. Mas, a realidade é que o projeto prevê a entrega quase irrestrita da produção científica brasileira, de parte do patrimônio público e do trabalho dos docentes na mão dos empresários. Ou seja, a cobrança de mensalidade dentro dessas instituições é apenas um dos problemas.

    Governo Bolsonaro empurra dados que não o favorecem pra baixo do tapete

    O governo não leva em consideração que, de acordo com o ranking universitário elaborado pelo Jornal Folha de S. Paulo em 2018, 43 das 50 instituições melhores colocadas são públicas. É importante ressaltar que o ranking considera indicadores de pesquisa, ensino, mercado, internacionalização e inovação. Não há nenhuma faculdade privada entre as dez melhores instituições de ensino superior do país. Para além disso, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aponta que 99% das pesquisas científicas do país são produzidas por universidades públicas. 

    Mas, se o atual governo prefere esconder as estatísticas que revelam que o desemprego e o desmatamento aumentaram e que há fome, sim, no Brasil, por que daria atenção aos dados que mostram que universidades públicas são responsáveis pela quase totalidade das pesquisas científicas produzidas no país?

    A quem vai servir a educação do nosso país?

    Mesmo com limites de acesso e com a falta de investimentos no setor – que não é de hoje –, o tripé de ensino, pesquisa e extensão promovido por essas instituições ainda é responsável por levar o conhecimento que é produzido dentro das universidades para o conjunto da sociedade.

    E esse conhecimento traduz-se em medicamentos na área da saúde, melhorias no saneamento, no transporte e na moradia, desenvolvimento de novas tecnologias e mais recursos para vivermos em sociedade. Entretanto, o aumento da participação de empresas privadas no financiamento do ensino superior público vai significar o fim de retorno social para as pesquisas realizadas dentro das universidades. A prioridade passará a ser para projetos que tragam lucro e retornos rápidos para o capital investido.

    A situação dos professores

    Se na atual conjuntura o medo de perseguição que assola professoras e professores em sala de aula já impede que muitos conteúdos relevantes sejam abordados, como será com a insegurança constante de perder o emprego caso a meta não seja atingida ou pelo fato de o conteúdo da aula não estar alinhado aos interesses do capital? 

    Por todos esses motivos, nossa luta contra os ataques à educação pública precisa continuar!
    Matéria publicada na edição de agosto do jornal Diário de Classe
  • 09 | 08 | 2019 - 17:15 Informe-se

    Future-se pra quem?

    Future-se pra quem?
    A farsa da modernização para ampliar a privatização
    O novo programa do governo federal para a educação, o Future-se, contém uma receita antiga e conhecida de todos nós: privatizar para lucrar mais. O projeto dá continuidade ao anúncio do corte de 30% do orçamento das universidades e institutos federais. A proposta está alinhada à política de Jair Bolsonaro e a tudo que o presidente fez nesses sete meses de mandato: entregar direitos sociais como saúde, educação, aposentadoria, entre outros, à iniciativa privada e transformar aquilo que hoje é direito para os trabalhadores em um balcão de negócios para empresas e bancos.

    O anúncio do Future-se, feito pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, veio carregado de um discurso de modernização da administração das universidades. Mas, a realidade é que o projeto prevê a entrega quase irrestrita da produção científica brasileira, de parte do patrimônio público e do trabalho dos docentes na mão dos empresários. Ou seja, a cobrança de mensalidade dentro dessas instituições é apenas um dos problemas.

    Governo Bolsonaro empurra dados que não o favorecem pra baixo do tapete

    O governo não leva em consideração que, de acordo com o ranking universitário elaborado pelo Jornal Folha de S. Paulo em 2018, 43 das 50 instituições melhores colocadas são públicas. É importante ressaltar que o ranking considera indicadores de pesquisa, ensino, mercado, internacionalização e inovação. Não há nenhuma faculdade privada entre as dez melhores instituições de ensino superior do país. Para além disso, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aponta que 99% das pesquisas científicas do país são produzidas por universidades públicas. 

    Mas, se o atual governo prefere esconder as estatísticas que revelam que o desemprego e o desmatamento aumentaram e que há fome, sim, no Brasil, por que daria atenção aos dados que mostram que universidades públicas são responsáveis pela quase totalidade das pesquisas científicas produzidas no país?

    A quem vai servir a educação do nosso país?

    Mesmo com limites de acesso e com a falta de investimentos no setor – que não é de hoje –, o tripé de ensino, pesquisa e extensão promovido por essas instituições ainda é responsável por levar o conhecimento que é produzido dentro das universidades para o conjunto da sociedade.

    E esse conhecimento traduz-se em medicamentos na área da saúde, melhorias no saneamento, no transporte e na moradia, desenvolvimento de novas tecnologias e mais recursos para vivermos em sociedade. Entretanto, o aumento da participação de empresas privadas no financiamento do ensino superior público vai significar o fim de retorno social para as pesquisas realizadas dentro das universidades. A prioridade passará a ser para projetos que tragam lucro e retornos rápidos para o capital investido.

    A situação dos professores

    Se na atual conjuntura o medo de perseguição que assola professoras e professores em sala de aula já impede que muitos conteúdos relevantes sejam abordados, como será com a insegurança constante de perder o emprego caso a meta não seja atingida ou pelo fato de o conteúdo da aula não estar alinhado aos interesses do capital? 

    Por todos esses motivos, nossa luta contra os ataques à educação pública precisa continuar!
    Matéria publicada na edição de agosto do jornal Diário de Classe

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