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  • Educação domiciliar não é para a classe trabalhadora!
    10 | 05 | 2019 - 13:10 Informe-se

    Educação domiciliar não é para a classe trabalhadora!

    As escolas são um importante espaço para socialização e vivência da diversidade existente na sociedade

    O projeto de lei que promove o ensino domiciliar tramita no Congresso Nacional e causa estranheza desde o início. A proposta está vinculada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e não ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo currículo do ensino básico e demais regulamentações da área educacional. 

    A medida altera a Lei nº 8.069/90, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, e a Lei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. De acordo com o governo, o projeto pretende trazer os requisitos mínimos que os pais ou responsáveis legais deverão cumprir para exercer a educação domiciliar desde o ensino fundamental até o último ano do ensino médio. 

    Na maioria das unidades escolares Brasil afora, faltam contratações e livros didáticos, a estrutura é precária e enfrentamos graves problemas de evasão escolar e analfabetismo funcional. Sabemos desses problemas e nossa luta é para que eles sejam resolvidos. Entretanto, ao invés de se preocupar em melhorar a educação pública, o governo se dedica à regulamentação de um modelo de ensino que não atende a classe trabalhadora e a maioria dos brasileiros.

    Qual é o papel da escola?

    Questões do ensino domiciliar para refletir

    O elemento mais preocupante e controverso do ensino domiciliar é a intervenção pedagógica que se pretende que seja feita pela família. O processo de formação e profissionalização dos trabalhadores da educação que hoje estão na escola, em especial os professores, é feito ao longo de muitos anos de estudo, tanto para capacitar no sentido da aquisição de conteúdos quanto no trato pedagógico, na didática necessária para ensinar.

    A retirada desses profissionais da rotina de formação das crianças e adolescentes é um retrocesso bastante grande e um desmerecimento de séculos de desenvolvimento dos métodos pedagógicos e do conhecimento científico. O que se espera dos governos são políticas inclusivas, que promovam a socialização e o investimento nos espaços públicos de ensino para formação de cidadãos.

    Como pais que trabalham fora e percorrem longas distâncias entre a casa e o trabalho irão lidar com o ensino domiciliar? E as mães e pais com mais de um emprego, que trabalham à noite e aos finais de semana? Em que dia da semana vão ensinar seus filhos?
    Por mais precários que possam ser muitos equipamentos de ensino, as escolas são um importante espaço para socialização e vivência da diversidade existente na sociedade, em todos os seus âmbitos. É ali que a criança aprende a conviver em grupo, colaborar, respeitar o outro e se responsabilizar com tarefas e atividades. 

    Com o ensino domiciliar, o contato das crianças será restrito à família, distanciando-as de outras vivências e experiências que o contato com outras famílias e outros profissionais permite. Para além da interação e socialização, que abrange a todos, para uma parcela significativa das crianças que frequentam a rede pública de ensino, a escola é o único lugar que permite à criança acessar determinados produtos culturais, como livros, filmes, bibliotecas, museus, parques, apresentações de teatro, dança, cinema, e o conhecimento científico de forma geral. 

    Sem a escola, o processo de formação da criança fica comprometido. As condições econômicas e culturais de muitas das famílias trabalhadoras não as permitem o acesso a esses elementos que, com muito esforço, conseguimos fazer chegar às crianças na escola. Outro grave problema que o governo parece desconsiderar: hoje, a escola também é um espaço de segurança, alimentar e física, das crianças. Para uma parcela dos alunos, a escola é o lugar privilegiado para se alimentar, seja pelo problema da quantidade ou da qualidade do alimento disponível em suas casas.

    Mesmo com problemas, a merenda escolar representa a principal refeição do dia. Além disso, são frequentes os casos de violência doméstica que a escola consegue detectar e ajudar a combater. Para essas crianças, a escola funciona como um local mais seguro que a própria casa.

    Matéria publicada na edição de maio do jornal Diário de Classe
  • 10 | 05 | 2019 - 13:10 Informe-se
    Educação domiciliar não é para a classe trabalhadora!

    Educação domiciliar não é para a classe trabalhadora!

    As escolas são um importante espaço para socialização e vivência da diversidade existente na sociedade

    O projeto de lei que promove o ensino domiciliar tramita no Congresso Nacional e causa estranheza desde o início. A proposta está vinculada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e não ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo currículo do ensino básico e demais regulamentações da área educacional. 

    A medida altera a Lei nº 8.069/90, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, e a Lei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. De acordo com o governo, o projeto pretende trazer os requisitos mínimos que os pais ou responsáveis legais deverão cumprir para exercer a educação domiciliar desde o ensino fundamental até o último ano do ensino médio. 

    Na maioria das unidades escolares Brasil afora, faltam contratações e livros didáticos, a estrutura é precária e enfrentamos graves problemas de evasão escolar e analfabetismo funcional. Sabemos desses problemas e nossa luta é para que eles sejam resolvidos. Entretanto, ao invés de se preocupar em melhorar a educação pública, o governo se dedica à regulamentação de um modelo de ensino que não atende a classe trabalhadora e a maioria dos brasileiros.

    Qual é o papel da escola?

    Questões do ensino domiciliar para refletir

    O elemento mais preocupante e controverso do ensino domiciliar é a intervenção pedagógica que se pretende que seja feita pela família. O processo de formação e profissionalização dos trabalhadores da educação que hoje estão na escola, em especial os professores, é feito ao longo de muitos anos de estudo, tanto para capacitar no sentido da aquisição de conteúdos quanto no trato pedagógico, na didática necessária para ensinar.

    A retirada desses profissionais da rotina de formação das crianças e adolescentes é um retrocesso bastante grande e um desmerecimento de séculos de desenvolvimento dos métodos pedagógicos e do conhecimento científico. O que se espera dos governos são políticas inclusivas, que promovam a socialização e o investimento nos espaços públicos de ensino para formação de cidadãos.

    Como pais que trabalham fora e percorrem longas distâncias entre a casa e o trabalho irão lidar com o ensino domiciliar? E as mães e pais com mais de um emprego, que trabalham à noite e aos finais de semana? Em que dia da semana vão ensinar seus filhos?
    Por mais precários que possam ser muitos equipamentos de ensino, as escolas são um importante espaço para socialização e vivência da diversidade existente na sociedade, em todos os seus âmbitos. É ali que a criança aprende a conviver em grupo, colaborar, respeitar o outro e se responsabilizar com tarefas e atividades. 

    Com o ensino domiciliar, o contato das crianças será restrito à família, distanciando-as de outras vivências e experiências que o contato com outras famílias e outros profissionais permite. Para além da interação e socialização, que abrange a todos, para uma parcela significativa das crianças que frequentam a rede pública de ensino, a escola é o único lugar que permite à criança acessar determinados produtos culturais, como livros, filmes, bibliotecas, museus, parques, apresentações de teatro, dança, cinema, e o conhecimento científico de forma geral. 

    Sem a escola, o processo de formação da criança fica comprometido. As condições econômicas e culturais de muitas das famílias trabalhadoras não as permitem o acesso a esses elementos que, com muito esforço, conseguimos fazer chegar às crianças na escola. Outro grave problema que o governo parece desconsiderar: hoje, a escola também é um espaço de segurança, alimentar e física, das crianças. Para uma parcela dos alunos, a escola é o lugar privilegiado para se alimentar, seja pelo problema da quantidade ou da qualidade do alimento disponível em suas casas.

    Mesmo com problemas, a merenda escolar representa a principal refeição do dia. Além disso, são frequentes os casos de violência doméstica que a escola consegue detectar e ajudar a combater. Para essas crianças, a escola funciona como um local mais seguro que a própria casa.

    Matéria publicada na edição de maio do jornal Diário de Classe

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